O uso essencial de padrões contra a falsificação de medicamentos

O consumidor também precisa de informação clara para identificar sinais de fraude e buscar canais oficiais de denúncia

 

A falsificação de medicamentos deixou de ser um problema secundário. Tornou-se um risco concreto para pacientes, indústria farmacêutica e governos. Quando um tratamento é interrompido por um medicamento adulterado, não se fala apenas em prejuízo econômico, mas nas vidas que estão em perigo.

No Brasil, a Anvisa já alertou para o avanço dessa prática, especialmente em medicamentos de alto custo, usados em terapias complexas como câncer, hepatite C e transplantes. Atualmente, as canetas emagrecedoras são o maior alvo dos falsificadores. A lógica é clara, quanto mais essencial e caro é o produto, maior o interesse em falsificá-lo.

A resposta a esse desafio não pode se limitar à fiscalização pontual. O combate passa pela combinação entre tecnologia de ponta e padrões globais de rastreabilidade. Códigos bidimensionais e identificadores únicos permitem acompanhar cada caixa desde a fábrica até a farmácia. Isso cria uma trilha digital que dificulta a ação dos falsificadores e aumenta a confiança do consumidor.

Experiências internacionais mostram que inovação digital é decisiva. Blockchain, inteligência artificial e sistemas de autenticação por códigos bidimensionais criptografados já permitem verificar a procedência de um medicamento por escaneamento. No caso dos padrões globais GS1, o mais indicado no setor da saúde é o Datamatrix. O processo que antes dependia de inspeções manuais agora se resolve em segundos, com segurança e transparência.

No Brasil, iniciativas como o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) representam avanço significativo. Mas para alcançar escala real é preciso engajamento coletivo desde fabricantes, distribuidores, hospitais, farmácias e órgãos públicos. O consumidor também precisa de informação clara para identificar sinais de fraude e buscar canais oficiais de denúncia.

Padrões globais têm papel central nesse processo. Ao adotar regras reconhecidas internacionalmente, a indústria fortalece sua posição no mercado, reduz barreiras comerciais e garante que um medicamento fabricado aqui seja reconhecido como seguro em qualquer lugar. Investir em padronização evita falhas na informação e cria um ecossistema de confiança.

Defendo que líderes do setor tratem o tema não apenas como obrigação regulatória, mas como investimento estratégico. Quem adota tecnologia antifalsificação protege sua reputação, gera valor para investidores, garante competitividade e, acima de tudo, cumpre seu compromisso com a sociedade.

Não existe espaço para hesitação. A falsificação de medicamentos é uma realidade em expansão. A resposta precisa ser coordenada, tecnológica e global. A segurança do paciente e a integridade do setor dependem da nossa capacidade de agir com rapidez e visão.

Por João Carlos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Automação–GS1 Brasil

 

 

Fonte: GS1

Legenda: João Carlos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Automação–GS1 Brasil

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