63% dos usuários desembolsam mais de R$ 800 por mês com o tratamento, enquanto 84% afirmam sentir impacto alto ou moderado nas finanças
Os medicamentos GLP-1, as canetas emagrecedoras, seguem ampliando sua presença no mercado brasileiro e já fazem parte da rotina de 5% dos lares do país, segundo estudo da NielsenIQ Brasil.
“Em 2026, dos 10 itens mais vendidos em farmácias, 8 foram canetas emagrecedoras. É um fenômeno que, de fato, está acelerado no Brasil. São produtos com desembolso alto, mas que tendem a ganhar uma força muito grande”, afirmou Domenico Tremaroli, diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil, durante o Seminário Estratégico FGVcev, com o tema “Saudabilidade & Wellness – Impacto no consumo e na gestão de farmácias e supermercados”, realizado em São Paulo e acompanhado pelo Guia da Farmácia.
Na comparação com a média global, os brasileiros demonstram maior familiaridade e predisposição ao uso de GLP-1.
Segundo o estudo da NielsenIQ:
- 51% dos brasileiros estão pelo menos um pouco familiarizados com medicamentos antiobesidade | Global: 37%
- 45% têm uma percepção positiva sobre esses medicamentos | Global:31%
- 15% já usaram um medicamento antiobesidade | Global:8%
- 61% utilizariam se recomendado por um profissional de saúde | Global:43%
- 58% estariam dispostos a gastar menos de R$ 500 por mês com o medicamento | Global: 66%
Quem são os usuários de GLP-1 no Brasil
Atualmente, 5% dos lares brasileiros utilizam regularmente esses medicamentos, com o seguinte perfil:
- Nível socioeconômico alto
- Faixa etária de 36-50 anos
- Lares com 3 a 4 pessoas
- Sem crianças
O levantamento também revela um mercado com forte potencial de expansão da categoria: 26% dos lares demonstram interesse em usar as canetas emagrecedoras, formando um grupo com as seguintes características:
- Nível socioeconômico médio
- Faixa etária de 36-50 anos
- Lares com 3 a 4 pessoas
- Com crianças
No recorte por região, a penetração de usuários está configurada da seguinte forma:
- Nordeste: 2%
- Leste (MG, ES, interior RJ): 6%
- Grande Rio: 4%
- Grande São Paulo: 5%
- Interior de São Paulo: 4%
- Sul: 6%
- Centro-oeste: 8%
“Regiões com maior poder aquisitivo se destacam, como o Centro-Oeste, onde 8% da população já utiliza esse tipo de medicação. No Nordeste, por outro lado, onde a renda média é menor, observamos um percentual mais baixo de usuários”, disse Tremaroli.
Gastos e mudanças nos hábitos alimentares
O alto custo dos medicamentos GLP-1 tem impacto direto no orçamento dos consumidores. Segundo a NielsenIQ Brasil, 63% dos usuários desembolsam mais de R$ 800 por mês com o tratamento, enquanto 84% afirmam sentir impacto alto ou moderado nas finanças.
Para manter o uso das canetas emagrecedoras, 62% dos usuários precisaram reduzir despesas, como saída a bares (61%), restaurantes (54,9%), serviços (56,6%), lazer (50%) e mercado (16,4%).
O uso das canetas emagrecedoras também se reflete em mudanças nos hábitos alimentares.
De acordo com a pesquisa, 89,4% dos usuários afirmam ter alterado a alimentação após o início do tratamento, reduzindo a compra de chocolates, snacks e bebidas adoçadas.
“Em contrapartida, outras categorias passam a ter maior percentual de consumo, como proteínas, vegetais e suplementos, por exemplo”, afirmou Tremaroli.
Produtos que os usuários de GLP-1 diminuíram ou eliminaram do consumo
- 76,9% – chocolates e doces
- 73,4% – snacks (biscoitos/balas/salgadinhos)
- 67,6% – bebidas alcoólicas
- 64,7 – bebidas açucaradas (refrigerante, chá)
- 58,4% – pães e bolos
- 52,6% – sorvetes/iogurtes
- 52,6% – pratos prontos
- 8,7% – outros
Produtos que os usuários de GLP-1 aumentaram o consumo
- 84% – proteínas animais (carne, ovo)
- 67% – vegetais/verduras/frutas
- 46% – suplementos
- 42% – itens ricos em proteínas
- 42%- vitaminas e minerais
- 39% – bebidas sem açúcar
- 2,3% – outros
Canais de venda
As farmácias são o principal canal de compra dos medicamentos GLP-1. No entanto, a pesquisa identificou outras formas de aquisição utilizadas pelos consumidores.
Canais de compra dos medicamentos GLP-1
- 75% dos consumidores compram em farmácias;
- 12,2% adquirem de vendedores informais;
- 5,6% em clínica de estética;
- 4,1% no e-commerce/marketplace;
- 3,1% outros.
Indicação médica é o principal fator de adoção
A decisão de utilizar medicamentos GLP-1 é influenciada principalmente pela recomendação médica. Já entre quem não faz uso das canetas emagrecedoras, a preferência por métodos tradicionais de emagrecimento, o receio de efeitos colaterais e o alto custo aparecem entre as principais barreiras, segundo os dados da NielsenIQ.
Principais motivos para o uso de canetas emagrecedoras
- 43,4% recomendação médica para perda/controle de peso;
- 39,3% condição de saúde (obesidade/pré-obesidade, esteatose etc.);
- 16,3% condições estéticas;
- 1% outros.
Principais para não utilizar canetas emagrecedoras
- 39,8% preferência por outras abordagens (dieta/exercício);
- 29,3% medo de efeitos colaterais;
- 28,6% preço alto;
- 25,1% falta de interesse em emagrecer;
- 5,7% contraindicação médica/condições de saúde;
- 3,6% acesso/disponibilidade (difícil de encontrar).
Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/estudo-da-nielseniq-aponta-glp-1-em-5-dos-lares-brasileiros/
Foto: Shutterstock