Analgésicos orais: mercado global chega a US$ 31 bi até 2033

Dor de cabeça, dor musculoesquelética, dor dentária, artrite, cólicas menstruais e dor pós-operatória lideram as buscas

O mercado global de analgésicos orais movimentou US$ 22,5 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 31,0 bilhões até 2033, com crescimento a uma taxa composta anual (CAGR) de 4,2% no período de 2026 a 2033, segundo relatório da consultoria Grand View Research. Para 2026, a estimativa aponta movimentação de US$ 23,3 bilhões, o que indica trajetória consistente de expansão sustentada pela demanda por tratamentos de dor aguda e crônica.

O mercado é sustentado pelo uso contínuo de medicamentos indicados para dor de cabeça, dor musculoesquelética, dor dentária, artrite, cólicas menstruais e dor pós-operatória. Paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e aspirina figuram entre os produtos com maior penetração no segmento, tanto por canais de prescrição quanto de venda livre.

Não opioides dominam

O segmento de analgésicos não opioides concentrou a maior parcela do mercado em 2025, com participação de receita de 62,1%¹. A ampla disponibilidade desses produtos em farmácias e canais de varejo, combinada com o uso estabelecido de paracetamol e AINEs para dor aguda e crônica, sustenta essa posição.

Ao mesmo tempo, os analgésicos combinados, aqueles que reúnem dois ou mais princípios ativos em uma única formulação oral, projetam o crescimento mais acelerado entre as classes, com CAGR estimado de 6,9% até 2033¹. Segundo o relatório, esses produtos ampliam as opções de tratamento ao atuar por diferentes mecanismos de ação, reduzem a necessidade de administração de medicamentos separados e permitem às empresas estender portfólios já consolidados por meio de novas formulações.

Os analgésicos opioides, embora relevantes para casos de dor moderada a intensa, enfrentam controles regulatórios mais rigorosos em razão dos riscos associados ao uso indevido, dependência e overdose. O relatório aponta que o foco regulatório global está se deslocando progressivamente para alternativas não opioides.

OTC responde por maioria das vendas

No recorte por status de prescrição, os produtos de venda livre (OTC) responderam por 63,4% da receita do mercado em 2025¹. O acesso facilitado por meio de farmácias de varejo, sem necessidade de receita médica, e o comportamento de autocuidado do consumidor sustentam esse desempenho.

O segmento de prescrição, por sua vez, deve registrar o crescimento mais rápido entre as categorias de status, com CAGR de 4,9% até 2033, impulsionado pela demanda por tratamentos para dor aguda de moderada a severa e por condições crônicas.

Comprimidos lideram; líquidos crescem

Entre os formatos de apresentação, comprimidos e caplets detiveram a maior participação de mercado em 2025, com 65,0% da receita. Esses formatos são adequados para fabricação em larga escala, oferecem armazenamento e distribuição convenientes e permitem múltiplas concentrações para uso em produtos OTC e prescritos. Formulações de liberação prolongada ampliam ainda mais a utilidade desse segmento.

Os líquidos orais devem registrar o CAGR mais elevado entre os formatos, de 5,1%, sustentados principalmente pela demanda por alternativas de dosagem para crianças e para pacientes com dificuldade em deglutir formas sólidas. Xaropes, suspensões e gotas orais oferecem flexibilidade de dosagem, especialmente no contexto pediátrico.

Farmácias varejistas na dianteira

No recorte por canal de distribuição, as farmácias varejistas lideraram com 63,7% da receita do mercado em 2025. O relatório aponta que esses estabelecimentos oferecem acesso direto ao consumidor, tanto para produtos OTC quanto para analgésicos prescritos, além de orientação farmacêutica na seleção e uso adequado dos produtos. A presença capilar em mercados urbanos e regionais reforça o protagonismo do canal.

As farmácias online devem registrar o crescimento mais expressivo entre os canais, com CAGR de 9,4% até 2033. A expansão do comércio eletrônico, a possibilidade de comparação de produtos e preços, os serviços de entrega domiciliar e o aumento do uso de smartphones e internet sustentam essa tendência. A plataforma digital também viabiliza a dispensação de analgésicos prescritos, quando autorizada pelas regulamentações locais.

América Latina e o papel do Brasil

Na América Latina, o uso de paracetamol, AINEs e analgésicos combinados para condições como dor de cabeça, febre e dor musculoesquelética sustenta a demanda regional.

O Brasil é destacado pelo relatório como um dos mercados mais relevantes da região, em razão da grande população e da extensa rede de farmácias varejistas.

Paracetamol, dipirona e ibuprofeno figuram entre os analgésicos orais mais utilizados. Medicamentos genéricos têm forte penetração e oferecem alternativas de menor custo, enquanto a expansão das redes de farmácias e dos canais de varejo online amplia o acesso a esses produtos em áreas urbanas.

Cenário competitivo de analgésicos e tendências regulatórias

O mercado é moderadamente concentrado, com competição distribuída entre fabricantes de saúde ao consumidor, empresas farmacêuticas e produtores de genéricos. Entre os principais players identificados pelo relatório estão Haleon, Kenvue, Bayer, Reckitt Benckiser, Teva Pharmaceutical, Viatris, Sanofi, Pfizer, Sun Pharmaceutical e Cipla.

Do ponto de vista regulatório, produtos de venda livre devem atender a requisitos que abrangem princípios ativos, dosagem, rotulagem, advertências e alegações permitidas. Analgésicos prescritos exigem evidências clínicas e monitoramento pós-comercialização.

Diferenças entre países na classificação OTC, nos requisitos de prescrição e nas regras para substâncias controladas criam desafios adicionais de conformidade para os fabricantes que operam em múltiplos mercados.

Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/mercado-global-de-analgesicos-orais/

Foto: iStock

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