Com mais de 94 mil farmácias no Brasil, iniciativas colaborativas ganham força
ao impulsionar crescimento, inovação e competitividade no setor.
Modelo proporciona acesso a recursos, ferramentas e estratégias que não estão ao alcance das farmácias independentes
O varejo farmacêutico brasileiro é extremamente competitivo e repleto de circunstâncias desafiadoras, a tal ponto que grupos internacionais enfrentam desafios de adaptação. São cerca de 94 mil farmácias espalhadas pelo País, em diversos formatos, desde aquelas que pertencem a grandes redes até iniciativas isoladas de empreendedores locais. Nesse cenário, um ecossistema vem ganhando crescente representatividade por causa dos resultados alcançados: o associativismo.
Trata-se de um modelo de engrenagem estratégica, que permite ao empresário independente manter sua autonomia enquanto opera com a força de grandes redes. Na prática, o associativismo democratiza o acesso a ferramentas de gestão, a relacionamentos relevantes para o negócio e a orientações, treinamentos e recursos para ganhos de escalabilidade. “O associativismo vem crescendo porque prepara os empreendimentos para os desafios atuais, como a digitalização e o conhecimento aprofundado dos consumidores”, avalia Edison Tamascia, presidente da Farmarcas, uma das entidades que atuam no associativismo farmacêutico, com mais de 1.700 lojas em todas as unidades da Federação.
No ano passado, o faturamento somado das associadas da Farmarcas chegou a R$ 10,1 bilhões – crescimento de 14,4% em relação ao do ano anterior, ante 11,3% do varejo farmacêutico brasileiro como um todo. No acumulado dos últimos cinco anos, o crescimento das associadas da Farmarcas chega a 141,3%, 83 pontos porcentuais acima da média do mercado.
Fundada há 14 anos, em maio de 2012, a Farmarcas é um grupo sem fins lucrativos, cuja geração de valor é destinada a farmácias independentes que buscam maior rentabilidade e crescimento sustentável. Hoje, com 11 bandeiras (Ultra Popular, Super Popular, Maxi Popular, Mega Popular, Entrefarma, Bigfort, Farma100, AC Farma, Drogarias Maestra, Farmavale e Maisfarma), a associação é o quarto maior agrupamento do varejo farmacêutico brasileiro.
Apoio constante
A atuação da Farmarcas, responsável por 4,1% do faturamento total do setor, reforça o impacto e a importância da rede dentro do segmento e demonstra a potência de um movimento consistente e positivo de transformação na realidade do varejo farmacêutico brasileiro.
Sediada em São Paulo, a associação tem 500 colaboradores – um time altamente técnico – dedicados à missão de aprimorar os negócios dos associados. Além de vantagens objetivas, como a redução de custos decorrente da negociação conjunta na compra de produtos e insumos, há a oferta de diversos recursos de apoio à gestão. A plataforma Radar, por exemplo, é uma das ferramentas desenvolvidas internamente. Abrange desde questões fiscais e contábeis até indicadores de desempenho, como faturamento, mix de produtos e a gestão da loja e dos colaboradores. Também oferece trilhas de capacitação e desenvolvimento.
A equipe da Farmarcas oferece acompanhamento e suporte próximos aos associados, identificando oportunidades de melhoria e montando planos de ação para as lojas já existentes e para as perspectivas de expansão. “Se o associado planeja a abertura de uma nova loja, há uma avaliação aprofundada sobre a viabilidade do ponto escolhido, processo que envolve orientações sobre design e mix de produtos, entre vários outros aspectos”, conta Ângelo Vieira, diretor de Comunicação. “Por outro lado, pode ser que a recomendação venha a ser a de que o plano não seja levado adiante. Quem está sozinho, competindo por conta própria, tem muita dificuldade para fazer avaliações desse tipo.”
Histórias de sucesso
A Farmarcas tem inúmeras histórias de sucesso. É o caso de Luiz Carlos Stanganelli Jr., que em 2005 assumiu a farmácia fundada pelo pai em São Paulo na década de 1970. Depois de alguns anos de frustração – “Eu trabalhava muito e não via resultado financeiro” –, ele decidiu associar-se à Farmarcas em 2012, assumindo a bandeira Ultra Popular. O faturamento da loja, que vinha oscilando no máximo 5% ao mês, para cima ou para baixo, subiu 30% no terceiro mês e triplicou ao final do primeiro ano.
Hoje, Luiz Carlos está à frente de sete lojas – seis na capital paulista e uma em São Bernardo do Campo. O faturamento original, em torno de R$ 100 mil mensais, saltou para quase R$ 2 milhões, enquanto os três funcionários se transformaram em 60. “Tudo isso aconteceu com prosperidade coletiva, princípio fundamental do associativismo: é bom para mim, mas também para os meus funcionários e para os consumidores. Todo mundo sai ganhando.”
Bruna Zanette Dutra também sentiu as agruras de empreender de forma isolada. Ela decidiu abrir o próprio negócio, em São Joaquim (SC), assim que se formou como farmacêutica, em 2005. Dois anos depois, inaugurou uma filial, e assim permaneceu por quase dez anos – trabalhando no balcão e faturando apenas o suficiente para pagar as contas. Até que, em 2015, conheceu a Farmarcas e decidiu associar-se. “Minha vida profissional mudou completamente. Deixei de ser apenas farmacêutica para ser empreendedora”, ela descreve. Hoje, são seis lojas em quatro cidades – além de São Joaquim, as também catarinenses Curitibanos, Orleans e Braço do Norte.
Somando-se a todos os benefícios proporcionados pela Farmarcas, Bruna destaca a importância do companheirismo e da troca de experiência entre os associados. “Estamos o tempo todo compartilhando informações e boas práticas, porque não nos vemos como concorrentes, e sim como parceiros. Trabalhamos juntos em prol de um objetivo em comum, que é o crescimento coletivo.”
Por Farmarcas e Estadão Blue Studio
Fonte: https://www.estadao.com.br/economia/associativismo-dita-novo-ritmo-no-varejo-farmaceutico/
Foto: Divulgação/Farmarcas