Segundo a NielsenIQ, o farma é o canal de maior penetração, atingindo 94% dos lares brasileiros monitorados
O canal farmacêutico registrou crescimento de 14,2% em valor no ano móvel até maio de 2026, resultado que coloca as farmácias e drogarias na liderança absoluta do desempenho entre os principais canais do varejo brasileiro.
Os dados são do relatório “Principais Tendências e Movimentações Canal Farma”, divulgado pela NielsenIQ, que também indica crescimento de 9,8% em mesmas lojas no mesmo período, desempenho que evidencia ganhos reais de produtividade, não apenas expansão de rede.
Canal farma x outros canais
O desempenho do canal farma contrasta fortemente com o dos canais alimentares. Supermercados e hipermercados cresceram 5,5% em total lojas, com expansão de 3% em mesmas lojas.
O atacarejo avançou 5% em total lojas, mas registrou retração de 0,2% em mesmas lojas, indicando que seu crescimento está mais associado à abertura de novos pontos de venda do que ao aumento de produtividade por loja.
A combinação entre alta penetração do canal, aumento de frequência de compra e elevação do tíquete médio explica o desempenho superior das farmácias. Segundo a NielsenIQ, o farma é o canal de maior penetração, atingindo 94% dos lares brasileiros monitorados, com frequência de compra próxima à do atacarejo.
Decomposição do crescimento
A análise da variação de gastos no canal farma revela que 47% do ganho vem do aumento do tíquete médio por ocasião de compra, enquanto 45% são explicados pelo crescimento em frequência. A expansão da base de lares compradores contribuiu com 1,1% do crescimento total.
O crescimento é, portanto, de acordo com a NielsenIQ, predominantemente orgânico: 70% da alta total é gerada por mesmas lojas, e a abertura de novos pontos de venda responde pelos 30% restantes.
Esse dado indica que as farmácias já instaladas estão capturando mais gasto do consumidor, seja pelo aumento do volume de itens comprados por visita, seja pela migração de compras realizadas anteriormente em outros canais.
Farma ganha participação na carteira do consumidor
O canal farmacêutico ampliou sua participação no chamado “share of wallet” dos consumidores brasileiros. No ano móvel até maio de 2026, farmácias e drogarias responderam por 11,7% dos gastos realizados no conjunto formado por supermercados, atacarejos, farmácias e perfumarias, ante 11,1% no período equivalente de 2025, ganho de 0,6 ponto percentual.
Supermercados e hipermercados, por outro lado, perderam 0,1 ponto percentual no mesmo indicador, sugerindo que parte dos gastos do consumidor migrou para o canal farmacêutico, especialmente em categorias como higiene, beleza e produtos de saúde.
“O crescimento do canal farma reflete uma mudança importante no comportamento do consumidor. A farmácia deixou de ser um destino exclusivamente relacionado à compra de medicamentos e passou a assumir um papel cada vez mais relevante na jornada de saúde, bem-estar e autocuidado. Além disso, em um cenário em que o consumidor está cada vez mais multicanal, as farmácias tem oferecido aos seus consumidores produtos que podem ser encontrados apenas no canal, diferenciando seu mix dos demais formatos. Isso ajuda a explicar o aumento da frequência de compra, o ganho de participação no orçamento das famílias e o crescimento consistente observado no país”, afirma, ao Guia da Farmácia, o Diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil, Domenico Tremaroli Filho.
Expansão regional equilibrada
O levantamento da NielsenIQ indica que o crescimento do farma ocorre em todas as regiões do Brasil, com maior intensidade no Centro-Oeste e em partes do interior de São Paulo.
A região Centro-Oeste registrou alta de 14,6% no número de lojas entre 2024 e 2026, o maior índice entre as regiões monitoradas. O interior de São Paulo avançou 12,7%, e a combinação de Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro registrou crescimento de 12,2%.
As regiões de Grande São Paulo e Nordeste cresceram de forma mais moderada, com altas de 5,6% e 4,1%, respectivamente, reflexo de mercados com maior densidade competitiva e base instalada mais madura.
A contribuição das mesmas lojas para o crescimento em valor é superior a 50% em todas as regiões, com exceção da Grande Rio de Janeiro. No restante do País, o desempenho orgânico das lojas existentes é, portanto, o principal motor de expansão.
Trade-up impulsiona crescimento saudável
Outro indicador relevante diz respeito à qualidade do crescimento. No canal farma, o efeito de trade-up, ou seja, a migração dos consumidores para produtos de maior valor dentro das categorias, contribuiu com 4,1 pontos percentuais dos 14,1% de crescimento em valor registrados no ano móvel de 2026. O impacto inflacionário respondeu por 3,9 pontos percentuais adicionais, enquanto o crescimento em volume contribuiu com 1,7 ponto percentual.
O fato de o trade-up superar a inflação é interpretado como um sinal de crescimento saudável e sustentável: o consumidor não está apenas pagando mais pelo mesmo produto, mas migrando para itens de maior qualidade ou valor percebido dentro do canal farmacêutico.
Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/canal-farma-supera-todos-os-outros-canais/
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