Universidade criada pela Fecofar capacita colaboradores para impulsionar a competitividade, o atendimento e a modernização do setor
Em um varejo farmacêutico cada vez mais digitalizado, competitivo e orientado por dados, a qualificação das equipes deixou de ser um diferencial para se tornar condição básica de sobrevivência. Hoje, mais do que medicamentos, as farmácias assumiram o papel de polos de conveniência e autocuidado — o que exige profissionais preparados para atuar em um ambiente que combina atendimento consultivo, conhecimento técnico, vendas especializadas e interação constante com ferramentas digitais.
Mais do que nunca, o setor vive um ponto de inflexão em que as pessoas voltaram a ocupar o centro da competitividade. Por mais que o digital avance, o elemento humano — do balconista ao farmacêutico — segue sendo determinante para gerar confiança, orientar o paciente, conduzir a venda consultiva e diferenciar uma farmácia da outra. É o atendimento que fideliza, é o conhecimento que qualifica e é o preparo das equipes que sustenta a experiência exigida pelo consumidor atual.
A pesquisa Consumo em Tempos de Inflação e Repriorização 2025 revela que 61% dos consumidores compram nas farmácias itens de higiene, beleza, cosméticos, vitaminas e suplementos — categorias que demandam orientação especializada no balcão. O estudo também mostra um consumidor mais seletivo e omnicanal, que compara preços, pesquisa antes de comprar e valoriza confiança, experiência e serviço qualificado.
Esse novo comportamento se soma a outro fator crítico: o ritmo acelerado de transformações do setor. A cada ano, a Anvisa publica dezenas de novas normas e atualizações, exigindo que os colaboradores estejam em constante processo de reciclagem. Ao mesmo tempo, novas gerações ingressam no mercado com expectativas e estilos de trabalho distintos, ampliando a necessidade de formação contínua e atualização técnica.
Nesse cenário mais complexo, um dos maiores desafios do varejo farmacêutico ganha ainda mais peso: o alto índice de turnover, que pode chegar a 30% ou 40% ao ano. A rotatividade compromete a continuidade do atendimento, encarece a operação e fragiliza a competitividade. Em um setor onde conhecimento técnico e venda consultiva são estratégicos, perder pessoas significa perder performance. Além disso, há uma realidade adicional: treinar colaboradores custa caro, mas repor profissionais custa ainda mais — e muitas farmácias independentes não dispõem de estrutura para oferecer capacitações técnicas, trilhas de desenvolvimento ou atualizações clínicas de forma contínua.
Foi justamente para preencher essa lacuna que surgiu uma solução em escala. Se, individualmente, uma farmácia não consegue sustentar uma estrutura robusta de capacitação, coletivamente três mil farmácias conseguem. Esse é o princípio que sustenta a Fecofar — Federação do Comércio Farmacêutico — que reúne redes como Farmais (SP), Grupo AMR (MG), Drogarias Max (RJ), São Rafael (SC), MasterFarma/Superpopular (SC), Rede Multidrogas (SP) e Redemed-Farmacerta (PE). Ao unir redes, a federação cria capacidade de investimento, escala e infraestrutura suficientes para entregar o que o varejo isolado não conseguiria.
Dessa união nasceu a Universidade Fecofar, uma plataforma nacional dedicada à formação e atualização de colaboradores das mais de três mil farmácias federadas. Lançada em outubro, a iniciativa ultrapassou a marca de mil alunos inscritos nas primeiras semanas. Totalmente online, a plataforma reúne quase 60 cursos, incluindo pós-graduações e MBAs reconhecidos pelo MEC, que vão desde formações de entrada até especializações avançadas, permitindo evolução profissional dentro da própria carreira.
Entre os programas oferecidos estão a Formação de Atendente de Drogaria, especializações em Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica, MBAs em Negócios, Dados e Analytics, Inovação, Marketing Digital, Gestão de Pessoas, Liderança, Qualidade em Serviços e Gestão de Micros e Pequenos Negócios, além de pós-graduações em Saúde Pública, Saúde da Família e Docência em Saúde.
Os colaboradores das redes associadas têm acesso a benefícios como 50% de desconto em cursos de pós-graduação e MBA, além de gratuidade total nos cursos livres. Os prazos de conclusão variam entre seis e 16 meses, permitindo conciliar estudo e rotina operacional das lojas.
Para Ricardo Kunimi, CEO da Farmais e membro da diretoria da Fecofar, a qualificação deixou de ser apenas uma resposta ao turnover e se tornou a principal estratégia de sustentabilidade do varejo farmacêutico. Segundo ele, o consumidor atual busca orientação, experiência e confiança — atributos que só existem quando há equipes bem treinadas.
“O varejo farmacêutico mudou, e quem vai sustentar essa mudança não é o algoritmo, são as pessoas. Atendimento, experiência e confiança são construídos todos os dias no balcão. E isso só existe com equipes bem preparadas”, afirma.
Kunimi reforça que a formação contínua impacta diretamente a venda, o atendimento, a operação e a fidelização. “Quando investimos em pessoas, investimos na evolução da rede inteira. A qualificação técnica é o principal fator que diferencia quem vai crescer de quem vai ficar para trás”, conclui.
Para as redes associadas, iniciativas como a Universidade Fecofar fortalecem a mão de obra do varejo, criam oportunidades reais de desenvolvimento e preparam profissionais para um setor cada vez mais regulado, competitivo e exigente. Ao democratizar o acesso à formação, a federação entrega ao pequeno varejista aquilo que ele jamais conseguiria sozinho: escala, estrutura e atualização contínua — exatamente os elementos que definirão quem permanecerá competitivo nos próximos anos.
