Bem executado, melhora a localização dos itens, favorece a compra complementar, reduz rupturas percebidas e cria condições mais consistentes para o retorno financeiro
O corredor de higiene oral vazio, a categoria de infantis fora do fluxo e um lançamento com baixa visibilidade são problemas de execução que custam vendas todos os dias. Saber como montar planograma de farmácia permite organizar o ponto de venda com base em comportamento de compra, papel de cada categoria e exigências sanitárias, sem transformar a loja em uma simples exposição de produtos.
Um bom planograma não é apenas um desenho de gôndola. Ele traduz a estratégia comercial da farmácia para o espaço físico: define o que entra, onde entra, quantas frentes recebe e quais produtos devem ficar próximos para apoiar a jornada do consumidor. Quando é bem executado, melhora a localização dos itens, favorece a compra complementar, reduz rupturas percebidas e cria condições mais consistentes para o retorno financeiro.
Antes de montar o planograma de farmácia, leia os dados
O primeiro erro é iniciar o projeto pela estética. A organização visual importa, mas deve ser consequência de uma análise. Comece pelo histórico de vendas por categoria, subcategoria, marca, apresentação e período. Observe faturamento, margem, giro, quantidade de cupons, estoque médio e índice de ruptura. Um produto de alto faturamento, mas com margem muito limitada, pode exigir um espaço diferente de um item de margem superior e giro estável.
Também vale separar o que é venda de rotina do que é compra sazonal. Protetor solar, antigripais, repelentes, itens para volta às aulas e kits de presente não devem receber o mesmo tratamento durante todo o ano. O planograma precisa prever revisões conforme o calendário comercial, o perfil epidemiológico local e as campanhas da indústria.
A leitura não pode ficar restrita ao sistema. Percorra a loja em horários e dias distintos. Veja por onde os clientes entram, onde param, em que pontos pedem ajuda e quais áreas ficam invisíveis. Em uma farmácia de bairro, a demanda recorrente por conveniência e cuidado familiar pode orientar a exposição de forma diferente daquela de uma unidade instalada em área corporativa ou próxima a clínicas e hospitais.
Defina o papel de cada categoria no ponto de venda
A gestão de categorias dá direção ao planograma. Nem toda categoria existe para cumprir a mesma função. Algumas atraem fluxo, outras elevam a margem, reforçam a imagem de preço competitivo ou sustentam a missão de cuidado da farmácia.
Medicamentos isentos de prescrição, por exemplo, podem responder a necessidades imediatas e exigem fácil orientação, sinalização clara e proximidade com o atendimento farmacêutico quando isso fizer sentido para a operação. Já dermocosméticos e cuidados capilares frequentemente dependem de exposição por benefício, marcas bem organizadas e equipe preparada para converter dúvidas em recomendação qualificada.
Ao classificar as categorias, defina objetivos mensuráveis. Uma linha de saúde infantil pode buscar ampliar itens por cupom. Uma categoria de suplementos pode ter como prioridade a margem e a educação do consumidor. Produtos de conveniência podem servir para elevar a compra por impulso em pontos de alto tráfego. Essa definição evita a disputa por espaço baseada apenas na pressão comercial de fornecedores.
Organize a loja por jornada, necessidade e segurança
O mapa da loja deve combinar circulação, missões de compra e regras aplicáveis ao varejo farmacêutico. Itens de alta procura precisam ser fáceis de localizar, mas isso não significa concentrar todo o giro na entrada. Produtos essenciais podem funcionar como destinos que levam o consumidor a percorrer áreas com oportunidades de compra complementar.
A entrada costuma ser valiosa para novidades, campanhas sazonais e categorias de apelo visual, desde que a exposição não dificulte a circulação. Pontas de gôndola devem ser tratadas como mídia de alta relevância, com poucos produtos, comunicação objetiva e abastecimento diário. Uma ponta cheia de itens sem conexão confunde o cliente e reduz a leitura da oferta.
Agrupe produtos a partir de necessidades reais. Em vez de organizar toda a seção apenas por fabricante, estruture subcategorias por ocasião de uso, benefício ou público quando isso facilitar a escolha. Em cuidados para os pés, por exemplo, hidratantes, desodorantes, palmilhas e itens para calos podem compor uma solução mais compreensível do que uma sequência extensa de marcas.
Há limites importantes. Medicamentos sujeitos a controle especial, itens que exigem condições específicas de guarda e produtos associados à dispensação devem seguir a regulamentação sanitária e os procedimentos internos da empresa. O planograma comercial nunca pode comprometer a segurança, a orientação farmacêutica ou a rastreabilidade. Em caso de dúvida, a validação do farmacêutico responsável e da área regulatória deve ocorrer antes da implantação.
Trabalhe a altura das prateleiras com intenção
A altura dos produtos influencia a percepção e a conversão. A faixa mais próxima dos olhos tende a receber itens prioritários, lançamentos estratégicos e produtos com boa rentabilidade, desde que tenham relevância para o consumidor. Itens pesados e embalagens maiores ficam melhor nas prateleiras inferiores, tanto por ergonomia quanto por segurança.
As prateleiras superiores podem acomodar estoques de apresentação, embalagens menos demandadas ou linhas premium, mas não devem se tornar um depósito visual. Para categorias infantis, é preciso considerar a visibilidade do acompanhante e evitar qualquer solução que estimule manuseio inadequado de produtos. O critério é simples: o cliente deve encontrar, comparar e retirar o item com facilidade.
Calcule espaço, frentes e sortimento sem desperdiçar gôndola
Uma referência prática é distribuir o espaço de acordo com a importância da categoria, corrigida por margem, giro e estratégia. Porém, não basta dar mais metros lineares aos campeões de venda. Se uma marca tem cinco versões com baixa diferenciação e pouca saída, reduzir duplicidades pode abrir espaço para uma necessidade mal atendida.
As frentes, ou facings, precisam refletir a velocidade de venda. Produtos de giro elevado necessitam de mais frentes para manter disponibilidade entre as reposições. Itens de compra planejada, menor saída ou valor elevado podem receber menos espaço, sem desaparecer do sortimento quando são relevantes para o posicionamento da loja.
Evite o excesso de SKUs apenas para preencher prateleira. Sortimento amplo demais aumenta a complexidade do abastecimento, eleva o risco de vencimentos e torna a decisão mais difícil para o consumidor. Por outro lado, sortimento curto demais pode levar à perda de vendas e reduzir a percepção de autoridade da farmácia em categorias de cuidado. O equilíbrio depende do perfil da unidade, da área disponível e da capacidade de reposição.
Transforme o planograma em uma ferramenta de execução
Um planograma só gera resultado quando a equipe consegue implementá-lo e mantê-lo. O arquivo deve apresentar medidas da gôndola, número de prateleiras, sequência dos produtos, quantidade de frentes, posição por altura e orientações de comunicação. Fotos de referência ajudam, mas não substituem instruções claras para montagem e reposição.
Antes de expandir para toda a rede, teste o desenho em uma ou duas lojas com perfil representativo. Acompanhe vendas, margem, rupturas, tempo de reposição e percepção da equipe. Em categorias que exigem recomendação, ouça também os farmacêuticos e atendentes: se os produtos ficaram mais fáceis de localizar, se surgiram dúvidas recorrentes e se a nova disposição apoia o atendimento clínico.
A implantação deve incluir uma rotina de conferência. O líder de loja pode usar um checklist simples para verificar se os itens estão na posição definida, se os preços são legíveis, se há produtos fora de lugar, se a comunicação está atualizada e se há lacunas na gôndola. A execução perde força quando cada turno reorganiza a exposição de uma forma diferente.
Meça o resultado e revise com frequência
Compare o desempenho antes e depois da alteração, preferencialmente considerando o mesmo período de semanas anteriores e fatores sazonais. Faturamento por metro linear, margem por categoria, unidades por cupom, ruptura, cobertura de estoque e índice de vencimento são indicadores úteis. Quando houver dados disponíveis, a taxa de conversão por área e a adesão a compras complementares ampliam a visão.
Nem todo ganho virá de imediato. Um novo layout pode exigir treinamento e adaptação do cliente. Ainda assim, quedas persistentes de venda, aumento de dúvidas ou dificuldade de reposição são sinais para ajustar rapidamente. O melhor planograma é vivo: responde a alterações de sortimento, negociações comerciais, sazonalidade, comportamento de compra e à evolução da farmácia como ponto de cuidado.
Vale envolver fornecedores de forma estruturada, usando dados da própria operação para avaliar sugestões de exposição. A indústria pode contribuir com conhecimento de categoria, materiais e lançamentos, mas a decisão final deve preservar a coerência da loja, o interesse do usuário e os objetivos financeiros do varejista.
Quando o espaço físico passa a refletir uma estratégia clara, a gôndola deixa de ser apenas armazenamento. Ela se torna uma extensão do atendimento, da gestão de categorias e da proposta de valor que a farmácia entrega à comunidade.
Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/como-montar-planograma-de-farmacia/
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