Orientação profissional e conveniência impulsionam os resultados da categoria nas farmácias
Pesquisa do IFEPEC mostra que o canal farma concentra 48% das compras da categoria
As farmácias e drogarias consolidaram sua posição como principal canal de compra de suplementos alimentares no Brasil. Dados da pesquisa nacional realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC) mostram que 48% dos consumidores adquirem esses produtos no varejo farmacêutico, percentual que supera com ampla vantagem marketplaces e e-commerce (24%), supermercados (15%) e lojas especializadas (8%).
O levantamento, realizado com 1.068 profissionais de saúde e 1.200 consumidores em todas as regiões do país, evidencia que o protagonismo das farmácias vai além da venda. O canal passa a desempenhar papel estratégico na orientação do consumidor, na fidelização e na construção de confiança em uma categoria que mantém trajetória consistente de expansão.
Para Edison Tamascia, presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), o mercado brasileiro de suplementos alimentares vive um dos momentos mais relevantes de sua história. “O crescente interesse dos consumidores por saúde, bem-estar, longevidade, desempenho físico e qualidade de vida tem ampliado a presença desses produtos na rotina da população e transformado a suplementação em uma categoria cada vez mais estratégica para toda a cadeia da saúde”, diz.

Consumo recorrente fortalece potencial da categoria
Os resultados mostram que o consumo de suplementos já faz parte da rotina dos brasileiros. Entre os entrevistados, 44% afirmam utilizar suplementos diariamente, enquanto outros 21% relatam consumo quase diário. Além disso, 82% pretendem continuar utilizando esses produtos nos próximos seis meses, indicador que reforça o potencial de crescimento sustentável da categoria.
O estudo revela ainda um consumidor experiente. Quase metade (43%) utiliza suplementos entre um e dois anos, enquanto 29% mantêm esse hábito há mais de dois anos. Apenas 15% iniciaram o consumo há menos de seis meses.
A percepção de eficácia também contribui para a fidelização. Mais da metade dos entrevistados (53%) afirma perceber resultados claros, enquanto outros 26% observam benefícios parciais.
Para o varejo farmacêutico, os dados assumem importância ainda maior. “As farmácias e drogarias consolidam-se como o principal canal de compra de suplementos alimentares no Brasil, reforçando seu papel como ponto de acesso à saúde, orientação e cuidado”, destaca Tamascia. De acordo com o executivo, essa posição exige preparo constante para compreender as mudanças no comportamento do consumidor, oferecer informações qualificadas e construir relações baseadas em confiança e credibilidade.

Qualidade supera preço na decisão de compra
A pesquisa demonstra que a decisão do consumidor está cada vez mais associada à confiança na marca e na qualidade do produto.
Entre os principais atributos considerados na compra, destacam-se:
- Qualidade e garantia – 32%
- Marca ou fabricante – 25%
- Composição dos ingredientes – 22%
- Facilidade de compra – 14%
- Embalagem – 7%
O dado ganha ainda mais relevância quando se observa que 78,6% dos consumidores afirmam abandonar uma marca caso ela deixe de atender ao atributo considerado mais importante.
Para a indústria, o resultado reforça a necessidade de investir em comprovação científica, transparência e comunicação técnica. Para o varejo, abre espaço para estender o papel consultivo das equipes de loja.
Farmacêutico amplia influência sobre a decisão do consumidor
Outro destaque do estudo é a crescente participação do farmacêutico na jornada de compra.
Entre os profissionais entrevistados, 57% afirmam indicar marcas específicas de suplementos, enquanto apenas 5% dizem nunca fazer esse tipo de recomendação. O índice é superior ao observado entre médicos (23%) e biomédicos (26%), ficando atrás apenas dos nutricionistas (66%).
Além disso, 19% dos farmacêuticos informam recomendar suplementos diariamente e 29% o fazem semanalmente, demonstrando que a categoria faz parte da rotina do atendimento nas drogarias.
O levantamento também mostra que os consumidores ainda recorrem principalmente aos médicos para indicação dos produtos (29%), seguidos por nutricionistas (17%). Os farmacêuticos aparecem em terceiro lugar entre os profissionais de saúde (8%), mas ganham relevância justamente no momento da compra, quando podem orientar o uso correto e esclarecer dúvidas.
“Vivemos uma era em que a informação circula com velocidade sem precedentes por meio da internet, redes sociais e plataformas de inteligência artificial. Conhecer profundamente o consumidor e entender a percepção dos profissionais da saúde deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade competitiva”, destaca Tamascia.

Varejo encontra oportunidade para fidelização
Outro dado relevante é que a interrupção do consumo raramente está relacionada à rejeição ao produto.
Os principais motivos são esquecimentos, dificuldades de uso durante viagens, limitações financeiras ou indisponibilidade do item no ponto de venda. Apenas 10% relatam interromper o consumo devido a efeitos colaterais.
Na avaliação do estudo, esse cenário cria oportunidades para programas de fidelidade, acompanhamento farmacêutico, ações educativas e estratégias que facilitem a recompra.
Suplementação deixa de focar apenas deficiências nutricionais
Se anteriormente a recomendação estava concentrada na correção de deficiências nutricionais, hoje ela contempla objetivos relacionados à qualidade de vida e ao envelhecimento saudável.
Do lado do consumidor, os principais motivos para utilizar suplementos são aumento da energia (31%), complementação alimentar (29%), melhora da saúde geral (27%), retardar o envelhecimento (25%) e melhorar o desempenho físico (24%). “Do ponto de vista comercial, farmácias e drogarias permanecem como canais centrais de compra. A elevada intenção de continuidade do consumo, combinada à percepção positiva de resultados, indica oportunidade para estratégias de fidelização, educação do consumidor e desenvolvimento de soluções que facilitem a adesão”, finaliza Tamascia.
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