A declaração do presidente chega em um momento em que o Brasil também aprofunda seu debate sobre autonomia produtiva na área da saúde
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, na noite de terça-feira (22/07), uma política de tarifas progressivas sobre medicamentos genéricos importados para o País.
A medida, divulgada em publicação na rede social Truth Social, prevê isenção tarifária durante dois anos a partir de 1º de agosto de 2026, seguida de alíquota de 100% por um ano e, posteriormente, de 200%. O objetivo declarado é estimular a repatriação da produção farmacêutica para território americano. Para o setor farmacêutico brasileiro, o anúncio levanta questões sobre soberania produtiva, segurança nacional e o papel estratégico da indústria nacional de medicamentos.
O anúncio de Trump
Em publicação direta, Trump deixou clara a motivação da medida. “Isso é feito com o objetivo de repatriar a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos, aplicando uma penalidade às empresas que decidirem não construir fábricas e equipamentos dentro do prazo estabelecido”, escreveu o presidente americano.
A política afeta diretamente um segmento de peso: mais de 90% dos medicamentos vendidos nos Estados Unidos são genéricos, segundo a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (Food and Drug Administration, FDA). O anúncio não altera, por ora, as regras para medicamentos patenteados, de marca ou inovadores.
Impacto para o Brasil
Para avaliar os reflexos no mercado brasileiro, o Guia da Farmácia ouviu o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), Tiago de Moraes Vicente. O executivo pondera que o efeito imediato sobre o Brasil é limitado, mas ressalta a relevância do sinal político emitido pela decisão americana.
“No curto prazo, o impacto direto tende a ser limitado, porque o Brasil não é hoje um grande exportador de genéricos para o mercado americano. Mas o sinal estratégico é muito importante: os EUA estão dizendo que medicamentos e insumos farmacêuticos são parte da agenda de segurança nacional”, disse Vicente.
Contexto brasileiro
A declaração de Trump chega em um momento em que o Brasil também aprofunda seu debate sobre autonomia produtiva na área da saúde. Vicente destaca que o País sancionou recentemente a Estratégia Nacional de Saúde do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (ENSCEIS), instituída pela Lei nº 15.471.
“A estratégia transforma em política de Estado instrumentos voltados ao fortalecimento da produção no Brasil, da inovação e da autonomia tecnológica em saúde”, explica o executivo.
A iniciativa brasileira se alinha a um movimento global que ganhou força após a pandemia de covid-19, quando a dependência de cadeias de suprimentos internacionais expôs vulnerabilidades críticas nos sistemas de saúde de diferentes países.
“Desde a pandemia, as principais economias passaram a tratar a produção de medicamentos, insumos farmacêuticos e tecnologias em saúde como tema de segurança nacional, soberania produtiva e resiliência das cadeias de abastecimento. Na prática, diferentes países vêm adotando instrumentos para incentivar a produção local, reduzir a dependência de fornecedores externos, atrair investimentos industriais, fortalecer pesquisa, inovação e transferência de tecnologia e proteger cadeias consideradas estratégicas para a saúde pública”, detalha Vicente.
Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/genericos-na-mira-de-trump-progenericos-avalia-impacto-para-o-brasil/
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