Governança não é só para empresas grandes: é para quem quer continuar existindo daqui a 10 anos

E no setor de distribuição farma, aplicar governança pode ser uma vantagem competitiva

O debate sobre governança no Brasil evoluiu muito – mérito de instituições como o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que há 30 anos elevam o padrão decisório das empresas. Mas, enquanto isso, o ambiente em que operamos ficou mais duro: juros persistentemente altos, incerteza fiscal em face a reforma em implementação, cadeias mais complexas, clientes mais diversos e concorrência ampliada. Em um cenário assim, governança deixa de ser diferencial para se tornar condição de sobrevivência.

No setor de distribuição farmacêutica, essa necessidade é ainda mais evidente. Margens apertadas, forte regulação, pressão por eficiência logística, relacionamento sensível com varejistas e uma cadeia crítica para a saúde do país tornam qualquer desorganização decisória um risco real – não apenas financeiro, mas reputacional. A pergunta, portanto, não é “quando” implementar governança, mas como continuar crescendo sem ela?

Mas afinal, do que estamos falando?

Segundo o Código do IBGC, governança é o sistema que direciona, monitora e incentiva a organização. É clareza sobre quem decide, com base em quais informações e com qual responsabilidade. Não é burocracia nem manual de boas maneiras, é o mecanismo que reduz improvisos, organiza prioridades, profissionaliza debates e prepara a empresa para ciclos mais exigentes.

E aqui está um ponto essencial: governança é um processo de maturação, não um pacote pronto. Começa simples: papéis claros, indicadores essenciais, rotinas mínimas, e evolui conforme a empresa necessita. É justamente isso que muitos ignoram: governança não é tema para “empresa grande”. É o que permite que pequenas e médias cheguem lá. Evidências de consultorias como Deloitte, PwC e McKinsey mostram que empresas com governança estruturada são mais resilientes, valem mais e conseguem atravessar ambientes incertos com menor volatilidade.

Por que, então, tantos resistem? Porque governança mexe na cultura. Tira decisões da informalidade. Exige dados. Expõe fragilidades. Obriga a olhar para sucessão, risco, compliance, estratégia – temas que muitos preferem adiar em nome do dia a dia atribulado. Mas justamente nesse desconforto mora o avanço. Em mercados regulados e de alta interdependência como o farma, governança não é custo: é proteção, competitividade e previsibilidade.

A  Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), ao estimular suas associadas e avançar na parceria com o IBGC, faz um movimento raro entre entidades setoriais: assume protagonismo na evolução da gestão e sinaliza que o setor está preparado para um novo patamar. Mas esse avanço só se concretiza se cada distribuidora decidir trilhar sua própria jornada de maturidade. Porque, no fim, não existe governança “de prateleira”: existe governança construída com disciplina, método e resultados.

Moda, tendência ou realidade? O mercado vêm respondendo. A governança que trouxe sua empresa até aqui não será a mesma que a levará pelos próximos anos,  especialmente em um mundo crescentemente incerto.

A hora de começar é agora. E começar simples é melhor do que não começar.

 

*Cesar Bentim é sócio da Artegist, boutique de estratégia que vem se dedicando a conduzir projetos estratégicos para empresas do segmento farmacêutico. Também atua como conselheiro consultivo e investidor anjo, com foco em empresas de saúde, varejo, distribuição e tecnologia. É conselheiro de administração certificado pelo IBGC e participa de iniciativas de governança, tendo papel ativo na estruturação estratégica de startups como a Riverdata, e mantém relacionamento próximo com fundos de VC e PE, como a Green Rock. Toda essa atuação está lastreada em 30 anos de atuação executiva em empresas como Ache, Pfizer, Novo Nordisk e IQVIA.

 

Fonte: Artegist

Cesar Bentim*, sócio da Artegist

 

 

 

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