Logística farmacêutica vira eixo crítico da expansão do setor no Brasil

Avanço da cadeia fria, compras institucionais e novos medicamentos elevam a exigência por operações especializadas

A expansão do setor farmacêutico brasileiro tem deslocado o centro de gravidade da cadeia de suprimentos para a logística, especialmente nos segmentos que exigem controle rigoroso de temperatura, rastreabilidade e alta capilaridade.

Com o crescimento das compras institucionais e o avanço de medicamentos de alto valor agregado, a logística deixa de ser apenas um elo operacional e passa a ocupar papel estratégico na garantia de eficiência, segurança e conformidade regulatória.

Esse movimento impõe novos desafios aos operadores logísticos, que precisam conciliar agilidade, especialização técnica e aderência às normas sanitárias, em cenários distintos de atendimento — do abastecimento hospitalar à última milha no varejo farmacêutico.

Cadeia fria e capilaridade

“Quando pensamos em uma maior procura de hospitais e órgãos governamentais, temos como consequência a necessidade de atender com mais agilidade — principalmente em questões de saúde pública —, ampliar a capilaridade e manter foco absoluto nas normas das agências regulatórias. Já no varejo, a atenção à última milha se torna mais necessária. São dois cenários diferentes, mas que exigem igualmente adequação e trabalho altamente especializado”, afirma Ricardo Canteras, diretor Operacional e de Tecnologia da Temp Log.

Especializada em cadeia fria para produtos da medicina estética, a Temp Log atua há mais de 30 anos no armazenamento, fracionamento e transporte de produtos de alto valor agregado para a saúde. A empresa atende mais de 2.500 municípios e acompanha de perto a transformação do mercado, investindo em modelagem automatizada de segmentação, sistemas avançados de rastreamento, renovação de frota e tecnologias de monitoramento contínuo da carga.

Aumento da complexidade operacional

O avanço de medicamentos sensíveis, biológicos e de prescrição reforça a necessidade de serviços logísticos personalizados, capazes de preservar as propriedades físico-químicas dos produtos ao longo de toda a cadeia. A exigência cresce tanto no transporte quanto no armazenamento, elevando o nível de complexidade operacional e tecnológica.

“São os operadores logísticos que garantem que todo esse medicamento produzido, vendido e consumido chegue da origem ao destino final em segurança”, destaca Canteras. Segundo ele, a expansão do setor acarreta uma demanda crescente por soluções sob medida, especialmente no transporte de medicamentos RX e insumos voltados à indústria de saúde e estética.

Pressão sobre a logística

A crescente relevância da logística ocorre em paralelo à expansão consistente do mercado farmacêutico. De acordo com o relatório Tendências Farma 2026, da Mintel, o setor no Brasil deve atingir US$ 43,9 bilhões em 2026, com 41% desse volume concentrado em hospitais, governo e compras institucionais — canais que exigem alto nível de previsibilidade, conformidade regulatória e resposta rápida.

As projeções estão alinhadas às estimativas da IQVIA, que apontam crescimento de 11% para o mercado farmacêutico brasileiro nos próximos cinco anos, impulsionado por fatores estruturais como envelhecimento da população, queda de patentes e expansão dos biológicos. Soma-se a esse cenário o avanço dos medicamentos à base de GLP-1, que têm ampliado significativamente o volume e a complexidade das operações logísticas.

Com esse pano de fundo, a logística especializada se consolida como um dos principais vetores de sustentação do crescimento farmacêutico no País, assumindo papel decisivo na eficiência da cadeia, na segurança dos produtos e na confiabilidade do abastecimento.

Fonte: https://transportemoderno.com.br/2026/01/28/logistica-farmaceutica-vira-eixo-critico-da-expansao-do-setor-no-brasil/

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