Mercado brasileiro de varejo farmacêutico atingiu aproximadamente R$ 170 bilhões em vendas entre 2024 e 2025, crescendo cerca de 9% a 10% ao ano na última década
O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) divulgou os dados de sell-out do mercado farmacêutico referentes a junho. A base de dados, compilada mensalmente pela IQVIA, líder global em dados e análises para o setor, captura o total das vendas nas farmácias a preços de compra das farmácias (PPP – Pharmacy Purchasing Prices), abrangendo todos os produtos vendidos nas drogarias durante o período, incluindo tanto medicamentos quanto bens de consumo não farmacêuticos.
O sell-out do varejo farma cresceu 8,5% na comparação anual (ano contra ano) em junho, acelerando em relação aos 5,1% registrados em maio, embora abaixo da expansão de 13,4% observada em abril.
Os medicamentos genéricos seguiram uma tendência semelhante, com o crescimento das vendas acelerando para 7,0% na comparação anual, ante 5,5% em maio, mas abaixo dos 12,5% registrados em abril, o que continua indicando uma demanda subjacente saudável e resiliente.
No 2º trimestre de 2026 (2T26), o sell-out totalizou R$ 39,9 bilhões, representando um crescimento de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior (comparado à expansão de 13,5% no 1T26). As vendas de genéricos cresceram 8,1% na comparação anual no trimestre, frente aos 14,4% registrados no 1T26.
O sell-out, termo utilizado para designar as vendas realizadas diretamente ao consumidor final no ponto de venda, é um dos principais indicadores de desempenho do varejo farmacêutico. Para farmácias e drogarias, acompanhar esse dado é fundamental para calibrar estoques, planejar mix de produtos e avaliar a saúde do mercado.
Resiliência do setor
Conforme mencionado no relatório “Além dos GLP-1: vetores estruturais de crescimento para o varejo farmacêutico brasileiro”, do Banco BTG Pactual, o setor tem demonstrado resiliência, sustentada por uma forte rede de distribuição física, demanda recorrente proveniente de doenças crônicas e uma estrutura de mercado relativamente fragmentada.
O mercado brasileiro de varejo farmacêutico atingiu aproximadamente R$ 170 bilhões em vendas entre 2024 e 2025, crescendo cerca de 9% a 10% ao ano na última década, impulsionado por tendências demográficas, como o envelhecimento da população e o aumento da prevalência de doenças crônicas.
Ainda assim, o setor permanece fragmentado, com cerca de 90 mil farmácias em todo o país, o que abre espaço para um processo contínuo de consolidação liderado por grandes redes, que contam com vantagens em logística, compras e conformidade regulatória.
De forma geral, os dados do Sindusfarma continuam reforçando a visão positiva do Banco BTG Pactual para o varejo farmacêutico, sustentada pela resiliência da demanda por medicamentos genéricos e medicamentos sob prescrição, por fundamentos sólidos de crescimento estrutural e por um potencial adicional de valorização decorrente da futura introdução dos genéricos de GLP-1, fator que ainda não está totalmente incorporado às estimativas do BTG. O banco segue mantendo a recomendação de compra para o segmento.
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