Brasil pode ser polo de canetas emagrecedoras

Leandro Pinheiro Safatle acredita que o aumento da oferta das canetas vai reduzir o interesse dos brasileiros por produtos contrabandeados

 

Além de baratear o produto, país tem potencial para ser líder no mercado dos injetáveis, com a oferta de 34 medicamentos

Além de um dos maiores mercados consumidores das novas drogas para emagrecer, popularmente conhecidas como canetas emagrecedoras, o Brasil caminha para ter um posição de destaque também na oferta desses medicamentos. Até o fim do ano, até oito novos injetáveis podem ter o registro aprovado pela Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa), o que resultaria em 29 opções autorizadas para comercialização, importação e uso. Um dos avais está previsto para sair ainda neste mês.

Até o fim de julho, seis pedidos foram deferidos, sendo cinco na semana passada, todos eles têm como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética. Criada em laboratório, a substância imita a ação do hormônio GLP-1, responsável por estimular a produção de insulina e atuar no controle da saciedade. Outros cinco pedidos de medicamento com a mesma base já aguardam análise da agência reguladora a ser iniciada em 2027. Se aprovados, o número de medicamentos legalizados no mercado pode chegar a 34.

“Os processos estão andando bastante rápido. O Brasil tem tudo para ser o mercado mais concorrente do mundo em razão do número de opções regularizadas”, avalia o diretor-presidente da agência, Leandro Pinheiro Safatle. Outro possível desdobramento com o aumento da oferta das canetas emagrecedoras, na avaliação de Safatle, é a redução do interesse dos brasileiros por produtos contrabandeados. “Quando você tem mais ofertas regularizadas, com redução de preço e aumento de acesso, a tendência é de que essas opções ocupem esse espaço.” Paralelamente às análises de novos registros, a agência tem parceria com a Polícia Federal e encaminhamentos com o governo do Paraguai, principal origem dos produtos ilegais, para coibir o mercado clandestino.

O número recorde de canetinhas registradas é resultado de um processo de otimização dos processos da Anvisa iniciado quando Safatle assumiu a presidência do órgão, há um ano. Levantamento inédito mostra que os números do primeiro semestre de 2026 apresentam melhoras históricas nas saídas — deferimento, indeferimento, arquivamento ou desistência — de todos os pedidos que chegam ao órgão, como análise de dispositivos médicos, cosméticos e agrotóxicos. No caso dos medicamentos sintéticos, foram 261 saídas de janeiro a junho, contra 86 no mesmo período de 2025 e 115 em 2024.

Ao Correio, Safatle disse, em dezembro último, que pretendia reduzir as filas pela metade até junho. A previsão se cumpriu; a expectativa agora é zerar todo o passivo até o fim do ano e se dedicar a novas frentes. Entre elas, estão ampliar as cooperações internacionais e estimular o desenvolvimento de produtos nacionais. “Estamos resolvendo o nosso passado, esse passivo da fila, para poder olhar, de fato, para a frente. Lidar com o novo é o destino da agência.”

Inovação médica

Nesse sentido, a Anvisa deve divulgar hoje um edital de estímulo à inovação em saúde. Serão selecionados 10 projetos de dispositivos médicos que contarão com o suporte dos profissionais da Anvisa em todas as etapas do desenvolvimento, da concepção à chegada ao mercado. Metade das vagas é exclusiva para desenvolvedores nacionais, contemplando a intenção de estreitar os laços entre a agência e polos de inovação local, como as universidades. Pelo cronograma, a parceria começa ainda neste ano, com a possibilidade de visitas in loco e reuniões remotas.

Será a segunda edição do projeto, que teve uma versão piloto em 2023, com 107 projetos inscritos e também 10 contemplados. Desses, nove seguem dedicados à ideia inovadora, sendo que dois já tiveram anuência em investigações clínicas. A avaliação da agência é de que o resultado é compatível com os do mercado de inovação.

Fonte:https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/08/7473921-brasil-pode-ser-polo-de-canetas-emagrecedoras.html

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Compartilhe: