Também é papel do farmacêutico reforçar que o tratamento da obesidade deve envolver abordagem integrada e individualizada
Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” ganharam protagonismo no Brasil nos últimos anos. Inicialmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, os agonistas do receptor de GLP-1 passaram a ser amplamente procurados também por pessoas interessadas em emagrecimento.
O aumento da visibilidade nas redes sociais, aliado à divulgação de relatos de perda de peso rápida, ampliou a procura por medicamentos como semaglutida e liraglutida nas farmácias brasileiras.
Ao mesmo tempo, entidades médicas e órgãos reguladores passaram a alertar para os riscos do uso indiscriminado e sem acompanhamento profissional.
Crescimento e relevância do tema no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que medicamentos agonistas de GLP-1 passaram a exigir retenção de receita médica devido ao crescimento da procura e à necessidade de reforçar o uso racional.
Segundo comunicado oficial da agência, a medida busca aumentar o controle sanitário sobre medicamentos utilizados para obesidade e diabetes tipo 2.
Além da maior demanda nas farmácias, sociedades médicas brasileiras também divulgaram posicionamentos públicos alertando sobre o uso desses medicamentos para fins exclusivamente estéticos.
De acordo com carta aberta divulgada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), o uso deve ocorrer somente com indicação clínica e acompanhamento profissional.
O que são as canetas emagrecedoras?
As chamadas canetas emagrecedoras pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Segundo a Anvisa, medicamentos como Wegovy (semaglutida) atuam no controle do apetite e da ingestão alimentar, além de auxiliarem no controle glicêmico.
Esses medicamentos mimetizam a ação do hormônio GLP-1, relacionado à saciedade e ao metabolismo da glicose.
Entre as indicações aprovadas estão o tratamento da obesidade; controle de sobrepeso associado a comorbidades; e tratamento do diabetes tipo 2, dependendo do medicamento.
Impactos fisiológicos durante o uso
Segundo a bula aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para medicamentos à base de semaglutida, os agonistas do receptor de GLP-1 atuam reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo a ingestão alimentar.
Esse mecanismo ocorre porque os medicamentos mimetizam a ação do hormônio GLP-1, relacionado ao controle da fome e ao esvaziamento gástrico.
Com a redução do apetite, muitos pacientes passam a consumir menor volume de alimentos ao longo do dia. Embora isso contribua para a perda de peso, especialistas alertam que a diminuição importante da ingestão alimentar também pode reduzir o consumo adequado de proteínas, vitaminas, minerais e fibras.
Segundo revisão científica publicada no PubMed Central (PMC), pacientes em uso de agonistas de GLP-1 podem apresentar ingestão insuficiente de nutrientes quando a alimentação não é adequadamente planejada.
O artigo destaca que dietas muito restritivas durante o uso desses medicamentos podem aumentar o risco de inadequação nutricional, especialmente em relação à ingestão proteica.
Por esse motivo, entidades médicas brasileiras reforçam que o tratamento da obesidade deve envolver acompanhamento profissional contínuo, incluindo orientação nutricional individualizada.
Papel da suplementação no contexto do emagrecimento
O acompanhamento nutricional pode fazer parte da estratégia terapêutica durante o tratamento da obesidade.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Sobrepeso e Obesidade em Adultos, do Ministério da Saúde, recomenda abordagem multiprofissional, mudanças no padrão alimentar e acompanhamento contínuo no tratamento da obesidade.
A literatura científica também descreve que pacientes em uso de agonistas do receptor de GLP-1 podem apresentar ingestão alimentar reduzida, o que pode exigir avaliação nutricional individualizada.
Segundo revisão publicada no PubMed Central (PMC), estratégias nutricionais durante o uso desses medicamentos podem incluir atenção à ingestão proteica e ao consumo adequado de micronutrientes.
Quais suplementos podem ser necessários durante o tratamento?
A revisão publicada no PubMed Central (PMC) destaca que estratégias nutricionais podem incluir atenção especial para:
- ingestão proteica adequada;
- vitaminas;
- minerais;
- fibras alimentares.
Papel do profissional de farmácia
Com o crescimento da procura pelas canetas emagrecedoras, o farmacêutico passou a desempenhar papel estratégico na orientação da população.
Entre as principais funções do profissional estão:
- orientar sobre uso racional dos medicamentos;
- alertar sobre riscos da automedicação;
- reforçar a necessidade de prescrição médica;
- identificar sinais de uso inadequado;
- encaminhar pacientes para acompanhamento profissional.
Também é papel do farmacêutico reforçar que o tratamento da obesidade deve envolver abordagem integrada e individualizada.
O manejo adequado inclui tratamento medicamentoso (quando indicado); alimentação adequada; atividade física; e acompanhamento multiprofissional.
Além da orientação sobre o uso correto dos medicamentos, especialistas destacam que pacientes em uso de agonistas de GLP-1 podem apresentar ingestão alimentar reduzida, o que exige atenção à ingestão adequada de nutrientes essenciais.
Nesse contexto, o farmacêutico também pode atuar na orientação sobre suporte nutricional complementar, auxiliando o consumidor a compreender a importância da avaliação individualizada da alimentação e da suplementação quando indicada.
A literatura científica destaca que estratégias nutricionais durante o uso de agonistas de GLP-1 devem considerar ingestão adequada de proteínas, vitaminas, minerais e fibras alimentares.
Na prática da farmácia, isso inclui orientar o consumidor sobre a importância de avaliar suplementos que apresentem composição nutricional compatível com suas necessidades individuais, sempre com acompanhamento profissional adequado.
Especialistas reforçam que a suplementação não deve substituir a alimentação equilibrada, mas pode atuar como suporte em situações de ingestão alimentar reduzida durante o tratamento.
Conclusão
O crescimento da procura pelas canetas emagrecedoras transformou os agonistas de GLP-1 em um dos temas mais relevantes do setor farmacêutico atualmente.
Embora esses medicamentos apresentem resultados importantes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, especialistas e órgãos reguladores reforçam a importância do uso responsável, com acompanhamento médico e suporte multiprofissional.
Nesse cenário, farmácias e farmacêuticos assumem papel fundamental na orientação da população, promoção do uso racional de medicamentos e educação em saúde.