CBD e temozolomida têm efeito antidepressivo em estudo

Estudo analisou os efeitos do canabidiol (CBD) combinado à temozolomida, quimioterápico usado contra o glioblastoma. Confira os principais achados

Pesquisadores identificaram um possível novo efeito do canabidiol (CBD) quando utilizado em conjunto com a temozolomida, um quimioterápico usado no tratamento do glioblastoma.

Em testes realizados em animais, a combinação apresentou um efeito semelhante ao observado com antidepressivos em ratos machos.

O trabalho foi publicado na revista científica Frontiers in Pharmacology. Os pesquisadores investigaram se o CBD poderia, além do interesse já existente nas pesquisas sobre câncer, ajudar a lidar com alterações relacionadas à saúde mental associadas ao glioblastoma e ao tratamento da doença.

Glioblastoma, tratamento e saúde mental

O glioblastoma é um tumor cerebral agressivo, com poucas opções de tratamento e alta taxa de recorrência. De acordo com os pesquisadores, pessoas com essa doença também podem apresentar outras condições debilitantes, entre elas a depressão, que pode se agravar durante o tratamento.

O tratamento convencional envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia com temozolomida.

Nesse contexto, estudos anteriores vêm investigando combinações entre canabinoides e quimioterápicos por seus possíveis efeitos contra as células cancerígenas. Também há pesquisas sobre uma possível ação dos canabinoides contra tumores.

O novo estudo, porém, tinha como objetivo analisar se o CBD combinado à temozolomida também poderia produzir efeitos relacionados ao humor.

Como os pesquisadores fizeram o experimento

A pesquisa utilizou 241 ratos, sendo 125 machos e 116 fêmeas. Os animais receberam diferentes doses de temozolomida, CBD e fluoxetina, um antidepressivo amplamente utilizado.

Os pesquisadores testaram os medicamentos isoladamente e em diferentes combinações.

O CBD foi administrado nas doses de 10 ou 30 mg/kg. Já a fluoxetina foi testada em doses entre 5 e 20 mg/kg.

CBD apresentou resultados diferentes em machos e fêmeas

Nos ratos machos, tanto a dose de 10 mg/kg quanto a de 30 mg/kg reduziram indicadores comportamentais associados à depressão.

Nas fêmeas, porém, esse efeito não apareceu. A diferença foi tão significativa que, quando os pesquisadores analisaram machos e fêmeas juntos, o efeito do CBD deixou de ser estatisticamente significativo.

Combinação com temozolomida teve efeito nos machos

Nas análises da associação entre CBD e temozolomida, os resultados também foram diferentes entre machos e fêmeas.

Nos ratos machos tratados com canabidiol e o quimioterápico, houve redução significativa dos indicadores relacionados à depressão em comparação com animais que receberam temozolomida sem CBD.

Para os autores, esses resultados indicam que a combinação entre os dois compostos produziu uma resposta semelhante à de um antidepressivo nos animais machos.

Como a fluoxetina se saiu nos testes

Os pesquisadores também utilizaram a fluoxetina para comparar os resultados.

Quando a fluoxetina foi administrada isoladamente, a resposta ao antidepressivo variou de acordo com a dose.

A maior dose testada, de 20 mg/kg, apresentou efeito antidepressivo. Já a menor dose, de 5 mg/kg, não produziu efeitos detectáveis.

Com a combinação de fluoxetina e temozolomida, os pesquisadores não observaram mudança significativa em relação aos efeitos já observados com os medicamentos separadamente.

Temozolomida isoladamente também apresentou efeito comportamental

Após dois ciclos de tratamento, a temozolomida também produziu uma resposta antidepressiva.

Os autores destacam que estudos anteriores sobre os efeitos da temozolomida no comportamento apresentaram resultados diferentes entre si.

Por que machos e fêmeas responderam de forma diferente

Os pesquisadores ainda não sabem por que o CBD apresentou efeito nos machos, mas não nas fêmeas.

Os autores consideram que estudos futuros deverão investigar doses diferentes para as fêmeas e compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos na resposta ao CBD.

Os resultados sugerem que a associação entre canabidiol e o quimioterápico pode ter efeitos comportamentais que vão além das possíveis interações com o tumor.

Novas pesquisas serão necessárias para confirmar esse potencial e entender se os resultados observados poderão representar algum benefício para pessoas com glioblastoma.

Cannabis no tratamento oncológico no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica.

Os derivados da planta têm sido utilizados por pacientes com câncer para aliviar efeitos colaterais do tratamento oncológico. Entre eles estão náuseas e vômitos causados pela quimioterapia.

A hipótese de uma possível ação direta dos compostos da Cannabis nos tumores ainda está sendo investigada.

Aqueles que desejam incluir esse tipo de produto no tratamento devem procurar orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de abordagem.

Fonte: https://www.cannabisesaude.com.br/cbd-temozolomida-antidepressivo/

Foto: iStock

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