GLP-1 avançam no Brasil, mas adesão esbarra no custo dos medicamentos

Uma redução de cerca de 35% nos preços poderia ampliar a viabilidade da terapia para aproximadamente 45% dos pacientes

O mercado brasileiro de medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, entra em uma nova fase com a chegada de novos produtos e o aumento da concorrência. Apesar do reconhecimento dos benefícios clínicos da categoria, o alto custo continua sendo o principal obstáculo para ampliar o acesso dos pacientes, segundo pesquisa realizada pela Febrafar.

O levantamento, conduzido pelo Instituto IFEPEC em maio de 2026, ouviu 1.067 médicos de todo o país das especialidades de Clínica Médica, Cardiologia, Medicina de Família e Comunidade e Endocrinologia. Os resultados mostram que apenas 28% dos pacientes considerados aptos ao tratamento conseguem arcar financeiramente com a terapia.

Além disso, 65% dos pacientes interrompem o tratamento ou não conseguem manter a posologia recomendada devido a limitações financeiras. Na avaliação dos profissionais entrevistados, uma redução de cerca de 35% nos preços poderia ampliar a viabilidade da terapia para aproximadamente 45% dos pacientes.

Segundo Edison Tamascia, presidente da Febrafar, a discussão sobre os GLP-1 deixou de estar centrada na eficácia dos medicamentos.

“Os médicos já reconhecem os benefícios clínicos dessa categoria terapêutica. O desafio agora é ampliar o acesso aos tratamentos”, afirma.

Novos produtos podem ampliar concorrência

A pesquisa também avaliou a percepção dos médicos sobre a chegada de novas opções de GLP-1 ao mercado brasileiro, incluindo biossimilares e medicamentos similares.

De acordo com o estudo, a maioria dos profissionais pretende incorporar essas alternativas à prática clínica, desde que apresentem comprovação equivalente de qualidade, segurança e eficácia.

Para a entidade, a ampliação da oferta pode contribuir para reduzir preços e aumentar o acesso dos pacientes a uma categoria que vem ganhando relevância no tratamento de doenças crônicas.

Uso sem prescrição preocupa especialistas

Outro dado que chamou a atenção foi o relato de uso dos medicamentos sem orientação médica. Em média, 7% dos pacientes chegam aos consultórios informando já ter utilizado GLP-1 antes da primeira consulta.

O resultado reforça a preocupação do setor com a comercialização irregular e o uso inadequado desses medicamentos.

A pesquisa também aponta que os efeitos adversos mais frequentemente relatados pelos pacientes são gastrointestinais, como náusea, constipação, vômitos e diarreia.

Mercado já sente efeitos da ampliação da oferta

A expansão da categoria já começa a ser percebida no varejo farmacêutico. Entre os movimentos recentes está a chegada do Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética produzida no Brasil e aprovada pela Anvisa.

Para a Febrafar, o aumento da concorrência pode representar um passo importante para ampliar o acesso aos tratamentos e reduzir a busca por produtos comercializados fora dos canais regulados.

O levantamento ouviu médicos de todas as regiões do país. Do total de participantes, 544 eram do Sudeste, 206 do Nordeste, 169 do Sul, 96 do Centro-Oeste e 52 do Norte.

Fonte: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/glp-1-avancam-no-brasil-mas-adesao-esbarra-no-custo-dos-medicamentos

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