Mercado brasileiro de cannabis aproxima-se do primeiro bilhão

Varejo farmacêutico pode assumir papel central na democratização do acesso à terapia

 

Setor movimentou R$ 971 milhões em 2025 e tem nas farmácias um canal estratégico para acelerar expansão

A evolução da cannabis medicinal no Brasil ganha novos capítulos. Durante o 5º Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, realizado no fim de maio no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP), a Kaya Mind revelou que o segmento movimentou R$ 971 milhões no país em 2025. Para especialistas, a chegada ao primeiro bilhão passa especialmente pelo papel das farmácias como canais de acesso.

“O cenário indica uma estabilização saudável, marcada pela queda dos preços médios, redução das judicializações e expansão consistente do número de pacientes”, comenta Maria Eugenia Riscala, CEO da consultoria.

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O número de médicos prescritores passou de 46.703 para 61.052, crescimento de 30,7%. Já o volume de prescrições físicas e digitais avançou de 287.395 para 410.194, alta de 42,7%. O indicador per capita subiu de 6,2 para 6,7 prescrições por CRM, evolução de 9,2%.

Mercado vive fase de consolidação

Para Kali Nardino, diretor de crescimento estratégico para Pharma & HealthTech da Cann Doc, o mercado brasileiro vive um momento de consolidação e aceleração. “Houve avanço regulatório, ampliação do número de prescritores, maior aceitação clínica e crescimento consistente da demanda dos pacientes”, afirma em entrevista exclusiva ao Panorama Farmacêutico.

Segundo ele, o contexto atual é muito diferente do de alguns anos atrás, quando o tema estava restrito a nichos específicos. Nos próximos três a cinco anos, fatores como simplificação regulatória pelas RDCs 1000 e 1015 da Anvisa, maior educação médica, entrada de novos players, avanço da telemedicina e integração entre indústria, varejo farmacêutico e plataformas de apoio ao paciente devem impulsionar o setor.

Entre os desafios estão o alto custo dos tratamentos, a desigualdade de acesso, a necessidade de maior capacitação dos profissionais de saúde e a insegurança jurídica ligada ao cultivo e à cadeia produtiva nacional.

Varejo farmacêutico pode ganhar escala

Na avaliação de Nardino, o potencial de venda de cannabis medicinal no varejo farmacêutico é elevado. Segundo ele, a terapia deixou de estar concentrada apenas em casos refratários e passou a integrar protocolos complementares em áreas como dor crônica, ansiedade, neurologia, psiquiatria, sono, oncologia e saúde integrativa.

“O varejo farmacêutico brasileiro tem enorme capilaridade e pode assumir papel central na democratização do acesso. Com maior previsibilidade regulatória e ampliação dos prescritores, o setor tende a ganhar escala significativa”, destaca.

Óleos e extratos devem seguir como principal categoria no curto prazo, mas há tendência de alta na procura por cápsulas, produtos dermatológicos, sprays e formulações direcionadas por especialidade terapêutica, inclusive com possibilidade de manipulação de CBD. O especialista também prevê maior segmentação entre extratos full spectrum, broad spectrum e isolados, além da integração entre cannabis medicinal e nutrição clínica baseada em evidências.

Farmácias devem investir em educação

Com a expansão do mercado, farmácias dispostas a investir na categoria precisarão apostar em capacitação intensiva. O farmacêutico terá papel cada vez mais estratégico na adesão ao tratamento e acompanhamento terapêutico. Será essencial estruturar portfólios, integrar jornadas entre prescrição, acesso e continuidade do cuidado.

“Cannabis medicinal ainda exige acolhimento, informação qualificada e suporte. Quem transformar experiência em continuidade terapêutica terá vantagem competitiva”, crava.

DPSP vê categoria como estratégica

O Grupo DPSP, detentor das bandeiras Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, acompanha de perto a evolução da cannabis medicinal, especialmente pelo potencial de ampliação do acesso e crescimento da demanda. De acordo com Milena Lima da Rocha, gerente nacional comercial de prescrição do grupo, a empresa busca fortalecer o entendimento interno da categoria, preparando equipes e acompanhando movimentos regulatórios e de mercado.

“O principal desafio ainda é o acesso, devido ao alto custo dos produtos e à necessidade de prescrição e orientação específicas. Também identificamos a necessidade de maior educação de pacientes e profissionais, amadurecimento regulatório e previsibilidade no abastecimento para garantir crescimento sustentável”, observa.

A DPSP já atende pacientes com demanda judicial em algumas categorias de medicamentos especiais, incluindo produtos relacionados à cannabis medicinal, por meio de uma estrutura dedicada ao acompanhamento dos processos e à entrega dos tratamentos.

Foto: Magnific

Fonte: https://panoramafarmaceutico.com.br/mercado-brasileiro-de-cannabis-aproxima-se-do-primeiro-bilhao/

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