Levantamento traz ainda um panorama sobre o mercado de medicamentos para controle do peso
O sell-in do setor farmacêutico brasileiro registrou crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior em setembro de 2026, mas a desaceleração do ritmo de expansão se aprofundou em relação aos meses anteriores.
Os dados foram compilados pela XP Investimentos com base em informações do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) e do IQVIA, e integram o Radar da Indústria Farmacêutica, relatório de acompanhamento periódico do setor. O levantamento traz ainda um panorama sobre o mercado de medicamentos para controle do peso, categoria que concentra a atenção de investidores e gestores do varejo farmacêutico.
Desaceleração que se aprofunda
O sell-in total atingiu R$ 13,2 bilhões em setembro, com alta de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado representa uma desaceleração adicional frente ao crescimento de 6% registrado em agosto e ao patamar de aproximadamente 9,5% verificado em junho e julho. Na comparação mensal, o indicador recuou 1%, após já ter caído 5% em agosto.
Os volumes totais cederam 0,5% na comparação anual, o que significa que o crescimento de receita foi integralmente sustentado pelo aumento de preços, sem ganho de volume.
Por categoria, o comportamento foi heterogêneo:
- Medicamentos de referência registraram a primeira queda anual do período acompanhado, com retração de 1%;
- Genéricos cresceram 4% no acumulado anual e foram a única categoria a avançar também na comparação mensal;
- Medicamentos de marca continuaram sendo o principal vetor de crescimento, com alta de 7% em relação ao ano anterior, sustentada por expansão de dois dígitos no tíquete médio.
O mix de categorias permaneceu amplamente estável no período.
Mounjaro e semaglutida: trajetórias opostas
No segmento de medicamentos GLP-1 (agonistas do receptor de peptídeo semelhante ao glucagon 1), utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, a análise da XP divide os resultados entre as proxies de tirzepatida (Mounjaro) e semaglutida (Ozempic e Wegovy).
A proxy do Mounjaro atingiu R$ 840 milhões em setembro, queda de 6% em relação a agosto, mas alta de 60% na comparação anual. Diferentemente de meses anteriores, a retração mensal foi puxada principalmente pelo volume, com o tíquete médio praticamente estável, com queda de apenas 1%. No acumulado desde junho, porém, o tíquete médio acumula redução de 12%, enquanto os volumes se mantiveram estáveis. O relatório aponta que esse comportamento é consistente com estratégias de combos lançadas no início do ano, que parecem estar comprimindo os preços líquidos do produto.
A proxy de semaglutida manteve sua trajetória de queda sequencial, com retração de 12% na comparação mensal e de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. O recuo foi registrado tanto em preço quanto em volume. O relatório atribui esse desempenho, em parte, à migração de consumidores para o Mounjaro e para novas alternativas de semaglutida não capturadas nas proxies utilizadas na análise.
Resultado do terceiro trimestre
Em base trimestral, a proxy consolidada de GLP-1 recuou 6% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. O Mounjaro foi o principal motor de crescimento no período, com alta de 5% na comparação trimestral, puxada por expansão de 13% em volume, que mais do que compensou a queda de 6% no tíquete médio. A semaglutida, por sua vez, recuou 26% no trimestre, com retração tanto de preço quanto de volume.
O relatório ressalta que as proxies utilizadas capturam apenas produtos de referência. Na análise prévia do terceiro trimestre, a XP assumiu leve crescimento trimestral nas vendas de GLP-1 nas farmácias, com a expectativa de que a queda dos medicamentos incumbentes seja compensada pela migração para alternativas de semaglutida não contempladas nos dados.
O que o varejo farmacêutico deve monitorar
Os dados de setembro são, segundo o relatório, consistentes com as premissas de crescimento adotadas pela XP para o desempenho das farmácias no terceiro trimestre, que já incorporavam uma desaceleração esperada diante de uma base de comparação mais exigente em relação ao ano anterior.
Para os próximos meses, o levantamento aponta três vetores principais a serem acompanhados pelo setor:
- A resiliência do mercado de medicamentos sob prescrição, especialmente do Mounjaro;
- O desempenho dos medicamentos similares e genéricos e as potenciais implicações para os GLP-1;
- A evolução da margem bruta dos medicamentos GLP-1 em meio ao aumento da concorrência no segmento.
Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/mercado-de-glp-1-sob-pressao-tiquete-cai-e-semaglutida-recua/
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