Norma que substitui a RDC 327 fortalece farmácias e deve acelerar o crescimento do mercado em 2026
A publicação da RDC 1015/2026, que substitui a RDC 327 da Anvisa, marca um novo capítulo para o mercado de cannabis medicinal no Brasil. A norma entrará em vigor em 4 de maio e promoverá impactos diretos e positivos para o varejo farmacêutico.
“Em conjunto com a RDC 1000/2025, que regulamenta a notificação de receita digital para produtos controlados, o setor passa a operar em um ambiente mais moderno, integrado e favorável à expansão das vendas de cannabis nas farmácias”, avalia Lukas Fischer, CEO da Endogen.
Segundo ele, nesse mês de fevereiro teve início a transição para a numeração eletrônica no Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), permitindo a emissão digital da tradicional receita azul para produtos à base de cannabis com até 0,3% de THC. Embora o sistema ainda passe por ajustes, a mudança é considerada um divisor de águas ao viabilizar a prescrição eletrônica, a teleconsulta e o envio da receita por meios digitais, como PDF, e-mail ou aplicativos de mensagem.
“Na prática, isso abre caminho para a dispensação remota, sempre com validação farmacêutica. Também possibilita a consolidação do e-commerce como canal estratégico na venda de cannabis medicinal”, ressalta o executivo.
Tarja vermelha elimina barreiras ao consumo de cannabis nas farmácias
Outro ponto relevante da RDC 1015 é a reclassificação de produtos anteriormente enquadrados como tarja preta para tarja vermelha. “A mudança, além de simplificar o fluxo comercial, reduz barreiras simbólicas e psicológicas para o paciente, que muitas vezes associa a tarja preta a medicamentos de maior risco ou complexidade”, explica Fischer.
Para o varejo farmacêutico, a nova classificação representa um ambiente mais favorável à comercialização, ampliando o potencial de conversão e reduzindo resistências no momento da compra.
Fortalecimento do canal farma
As alterações regulatórias também tendem a reequilibrar as diferentes vias de acesso à cannabis medicinal no país. Atualmente, a importação excepcional via RDC 660 ainda representa fatia relevante do mercado, mas já vem perdendo espaço para o canal farma.
“Com a revisão das regras, incluindo possíveis restrições à importação de produtos com concentrações já disponíveis no Brasil e exigências de grau farmacêutico na origem, a tendência é de um funil regulatório mais rigoroso para a importação individual, fortalecendo ainda mais a distribuição pelo varejo farmacêutico”, analisa o CEO da Endogen.
Além disso, a manipulação magistral de fitofármacos isolados de cannabis seguirá condicionada à revisão das boas práticas de manipulação, enquanto extratos de cannabis não poderão ser manipulados. “A tendência é que ganhem espaço os produtos industrializados com autorização sanitária, ampliando a segurança regulatória e a competitividade das farmácias”, acrescenta Fischer.
Digitalização acelera vendas e amplia conveniência (h3)
A integração entre prescrição digital, plataformas médicas e canais de venda online cria um ecossistema inédito no setor. Com a receita eletrônica validada pelo SNCR, o paciente poderá realizar a compra diretamente em farmácias digitais ou marketplaces de grandes redes, mediante upload da prescrição.
Dentro desse ecossistema, o PBM da epharma também atua como um importante facilitador de acesso e adesão ao tratamento, conectando indústria, farmácias e pacientes por meio de soluções que ampliam a disponibilidade e tornam os tratamentos mais acessíveis com descontos que chegam até 25%. O programa está disponível na plataforma Cann Doc, apoiada pela Endogen, e integra todas as grandes redes associadas à Abrafarma.
“O paciente pode comprar na Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo, Panvel, Drogaria Araujo ou Drogaria Venâncio, que operam canais digitais estruturados, potencializando a capilaridade e a logística para a entrega desses produtos”, ressalta Fischer. O resultado é mais conveniência para pacientes e cuidadores, que muitas vezes são responsáveis por agendar consultas, receber prescrições e efetuar a compra, e maior giro para o varejo farmacêutico.
Novos registros
Paralelamente, a Endogen também avança com novas autorizações sanitárias e amplia seu portfólio composto por seis registros, inclusive com a venda de suplementos, oferecendo produtos de qualidade e alta concentração, que proporcionam melhor custo por miligrama ao paciente.
A linha de suplementos da farmacêutica, aliás, vem gerando demanda por combinar nutrição clínica baseada em ciência com foco no equilíbrio fisiológico e bem-estar. Essa categoria já contempla 36 SKUs. Entre as novidades está o Litocálcio, produto de origem biológica à base de algas marinhas, desenvolvido para auxiliar no aumento da densidade mineral óssea, fortalecimento do esqueleto e suporte à saúde das cartilagens.
A empresa também acabou de lançar uma versão de vitamina D3 com 2.000 UI (50 microgramas) por cápsula, reforçando o pilar de cuidado com articulações e estrutura óssea.
Já no segmento de imunidade e nutrição funcional, chegam ao mercado um extrato de própolis verde com inositol e vitamina D, padronizado com 10% de compostos fenólicos, além de um ferro quelato. Essas últimas novidades ampliam as opções voltadas ao suporte do sistema imunológico e à suplementação eficiente de micronutrientes essenciais.
Fonte: https://panoramafarmaceutico.com.br/rdc-1015-marca-nova-fase-para-a-cannabis-nas-farmacias/
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