Tratamentos para o diabetes são protagonistas entre os novos medicamentos

Apesar de presença massiva de terapias com GLP-1, líder de vendas é princípio ativo mais tradicional

 

Os dez principais lançamentos da indústria nos últimos 12 meses movimentaram quase R$ 1 bilhão

De acordo com a IQVIA, os dez novos medicamentos com maior faturamento na indústria movimentaram R$ 983,8 milhões nos últimos 12 meses até março deste ano. Esses remédios são fabricados por seis farmacêuticas, com protagonismo da Eurofarma e EMS, ambas com três terapias entre as mais vendidas. Outros destaques são a MedQuímica, responsável pelo tratamento mais rentável, e a Daiichi Sankyo, única estrangeira da lista.

Medicamentos destinados ao tratamento do diabetes são os grandes protagonistas da relação. Mas, diferentemente do que ocorre entre terapias mais consolidadas, os agonistas de GLP-1 não concentram a maior parte das vendas nesse recorte.

Diabetes no topo, mas não como se imagina

Apesar de três canetas e três opções de dapagliflozina figurarem entre os líderes, os genéricos do Forxiga, da AstraZeneca, geraram um volume de vendas mais expressivo – R$ 616,2 milhões, ante R$ 265,4 milhões dos agonistas de GLP-1.

 

Para Sandro Angélico, CEO e fundador da farmácia digital Qualidoc, os dados indicam a relevância de medicamentos inovadores para o tratamento de doenças cuja incidência tem viés de aumento, como é o caso do diabetes. “Essa classe de remédios cumpre um importante papel científico. E após o vencimento das patentes, cabe aos genéricos a função de ampliar o acesso a produtos inovadores”, avalia.

A relação também reforça a posição de destaque ocupada pelas farmacêuticas brasileiras. “Como as indústrias multinacionais direcionam seus esforços para medicamentos de maior valor agregado e outras terapias mais raras, os laboratórios nacionais vêm ganhando terreno também no segmento de especialidades”, contextualiza Wilton Torres, fundador da plataforma Farmaindex.

Conheça os dez novos medicamentos mais vendidos

Dapagliflozina – MedQuímica

Faturamento: R$ 242,5 milhões

Apesar de contar com apenas um medicamento no ranking, a MedQuímica colocou esse produto no topo da lista. A dapagliflozina da farmacêutica movimentou mais de R$ 240 milhões no período. O remédio é utilizado principalmente no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, além de insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

Dapagliflozina – Eurofarma

Faturamento: R$ 213,5 milhões

Com faturamento superior a R$ 210 milhões em sua primeira aparição no ranking, a Eurofarma também apostou na dapagliflozina como um de seus principais motores de crescimento nos últimos 12 meses.

Poviztra – Eurofarma

Faturamento: R$ 196,1 milhões

Poviztra é um medicamento injetável à base de semaglutida, fruto da parceria do laboratório brasileiro com a Novo Nordisk, que até março detinha a patente do princípio ativo. É indicado para o tratamento de adultos com obesidade ou sobrepeso (com comorbidades), auxiliando na perda e manutenção do peso.

Dapagliflozina – EMS

Faturamento: R$ 160,2 milhões

A EMS – que também conquistou três posições no ranking – compartilha outra semelhança com a Eurofarma: seu medicamento mais vendido entre os lançamentos também tem como princípio ativo a dapagliflozina.

Extensior – Eurofarma

Faturamento: R$ 43,1 milhões

Com faturamento superior a R$ 40 milhões, o Extensior, agonista de GLP-1 da Eurofarma, ocupa a quinta posição entre os novos medicamentos mais vendidos no MAT 3/26. Assim como o Poviztra, tem como princípio ativo a semaglutida e resultado da parceria com a companhia dinamarquesa. Sua indicação, porém, é voltada ao tratamento de adultos com diabetes tipo 2.

Nustendi – Daiichi Sankyo

Faturamento: R$ 28,3 milhões

Nustendi (ácido bempedoico + ezetimiba) é indicado para reduzir o colesterol LDL, considerado o ‘ruim’. É voltado a adultos com hipercolesterolemia primária ou dislipidemia mista, geralmente associado à dieta. O produto garantiu a presença da única multinacional no top 10.

Tua D3 – Teuto

Faturamento: R$ 27,5 milhões

O Teuto conquistou faturamento de R$ 27,5 milhões com o Tua D3, seu suplemento alimentar de vitamina D3 (colecalciferol). Único vitamínico na relação, é utilizado para auxiliar na absorção de cálcio e fósforo, além de fortalecer o sistema imunológico e a saúde óssea.

Olire – EMS

Faturamento: R$ 26,2 milhões

Com vendas superiores a R$ 20 milhões em seu ano de estreia, o Olire (liraglutida da EMS) mostrou a força da nova e mais acessível geração de canetas emagrecedoras. Lançado em agosto, ele é indicado para o controle crônico do peso.

Secrelise – EMS

Faturamento: R$ 25,9 milhões

A EMS também teve como um de seus destaques no ano o faturamento de R$ 25,9 milhões com o Secrelise. O xarope expectorante e antitussígeno tem como base a combinação de cloridrato de oxomemazina, iodeto de potássio, benzoato de sódio e guaifenesina. Ele é indicado para o tratamento sintomático da tosse seca, irritativa, alérgica ou produtiva (com catarro), comum em gripes e resfriados.

Tossexpec – Neo Química

Faturamento: R$ 20,1 milhões

Com faturamento de R$ 20,1 milhões, o Tossexpec, da Neo Química, é outro xarope expectorante e antitussígeno de destaque. A combinação de princípios ativos é semelhante à do Secrelise, reforçando a presença dessa classe terapêutica entre os lançamentos.

Fonte: https://panoramafarmaceutico.com.br/tratamentos-para-o-diabetes-sao-protagonistas-entre-os-novos-medicamentos/

Foto: Magnific – romeo22

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