Vendas de remédios para crescimento capilar dobraram nos últimos três anos

Mais de 12 milhões de unidades renderam mais de R$ 494 milhões neste ano; plataformas vendem suporte online com foco no sigilo dos clientes

A venda de medicamentos genéricos com princípio ativo de minoxidil e dutasterida dobrou nos últimos três anos, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) para a CNN Brasil, com base em dados da IQVIA, plataforma de informações do mercado farmacêutico que monitora a demanda por produtos.

O Grupo Farma Brasil, associação que reúne empresas da indústria farmacêutica brasileira, aponta que o faturamento total com as moléculas prediletas para combater a queda capilar foi de R$ 685,5 milhões, com a venda de 16,8 milhões de unidades. O levantamento parcial de 2026 mostra que mais de 12 milhões de unidades renderam cerca de R$ 494 milhões em vendas neste ano.

Os fármacos para tratamentos hormonais masculinos são opções para o tratamento da perda de cabelo em homens e também para outras condições, como cânceres, glaucoma e artrite.

Tanto dinheiro e interesse movimentam empresas que oferecem atendimento online e multidisciplinar com médicos, com foco no sigilo dos clientes atendidos.

Uma liderança ameaçada

Segundo a PróGenéricos, com base em dados da IQVIA, a finasterida é, no momento, a molécula líder em vendas no mercado farmacêutico brasileiro de genéricos, porém o minoxidil e a dutasterida crescem com força.

Foram vendidas 1,19 milhão de unidades de finasterida neste ano, volume acima dos 1,17 milhão de 2025, o que demonstra uma recuperação em relação ao ano anterior. No entanto, outras moléculas têm sido muito procuradas pelo público.

O minoxidil passou de 453,8 mil unidades em 2024 para 703,8 mil em 2025 e, até setembro, já vendeu 920,8 mil unidades. Ou seja, registrou um aumento de 102,92% no acumulado de três anos.

A ascensão da dutasterida é ainda maior: saiu de 53,7 mil unidades distribuídas em 2024, passou para 75,9 mil no ano seguinte e, nos primeiros nove meses de 2026, vendeu mais de 123 mil unidades. Isso representa um crescimento acumulado de 129,66%.

São Paulo lidera a distribuição das três moléculas, seguido por Minas Gerais, que ocupa a segunda posição em todos os levantamentos.

Quem quer minoxidil aí?

O Grupo Farma Brasil, com base em dados da IQVIA, mostra que, em 2025, o minoxidil e a dutasterida foram bastante procurados por calvos, considerando tanto remédios genéricos quanto de referência (aqueles com marca).

Sozinhos, eles somam metade de todas as vendas da categoria. Além destes, outras moléculas também estão em franca expansão, como clobetasol, bimatoprosta, baricitinibe, ritlecitinibe e alfaestradiol, entre outros.

O faturamento total do setor foi de R$ 658,5 milhões em 2025, com um crescimento de 6% em relação a 2024. O volume de vendas de embalagens atingiu 16,8 milhões de unidades.

Os dados parciais de 2026 (até setembro) indicam vendas de 12,3 milhões de unidades, com cifras de R$ 494,8 milhões.

O minoxidil sozinho representa 29% das vendas no mercado nacional entre as moléculas pesquisadas. No ano passado, o medicamento gerou R$ 192,9 milhões, com 3,6 milhões de unidades vendidas.

Entre genéricos e remédios de referência, a dutasterida ocupou a segunda posição, registrando R$ 173,8 milhões em vendas.

Quanto ao volume, os produtos genéricos de clobetasol (R$ 104,7 milhões em vendas) e finasterida (R$ 85,2 milhões em vendas) dominam os primeiros lugares em número de unidades comercializadas.

Substâncias como bimatoprosta, alfaestradiol, bicalutamida, baricitinibe e ritlecitinibe, sendo estas duas últimas medicamentos de alto custo usados para alopecia grave, também estão entre as preferidas no mercado nacional. As principais moléculas analisadas no estudo somam a maior parte do setor, com destaque para as duas que, isoladamente, representam mais da metade das vendas.

Entre todos os laboratórios, o Aché lidera o ranking de faturamento, detendo 28,5% do mercado em 2025.

Em casa, no sigilo

Há, na internet, plataformas especializadas no atendimento de pacientes que buscam soluções contra a queda de cabelo. Os serviços envolvem entrevista, avaliação médica e envio dos medicamentos diretamente à residência do cliente.

Normalmente, são indicados inibidores de 5-alfa-redutase (como finasterida e dutasterida) e o minoxidil, de uso oral ou tópico (aplicado no couro cabeludo).

De acordo com Rodrigo Brunetti, fundador da plataforma Manual, o atendimento leva em consideração rigorosa a privacidade dos usuários.

“Cerca de 17% dos nossos clientes mantêm o tratamento em segredo total, e outros 13% contaram apenas para pessoas muito próximas. A discrição na embalagem e no envio foi fator decisivo para quase um em cada cinco clientes”.

Alguns pacientes relatam constrangimento na hora de comprar remédios para calvície pessoalmente na farmácia, mas isso se aplica mais ao público jovem. “Quanto mais velho o homem, mais aberto ele costuma ser. O tabu diminui com a idade. Metade dos nossos clientes fala do tratamento com naturalidade com amigos e família, e outros 19% conversam sobre o tema se o assunto surgir”, diz Brunetti.

Dados da empresa indicam que 44% dos clientes sentem que a calvície gera frustração e impacto na autoestima. “Mas a questão que mais aparece é a de parecer mais velho do que realmente é: 56% dos clientes dizem que isso pesa muito na vida deles. No final, essa é a face mais visível da autoestima, porque o homem se olha no espelho e não se reconhece. Vale para quem tem 22 anos e para quem tem 45”, explica.

O perfil mais comum dos atendimentos da Manual é de homens entre 18 e 29 anos, de classe média e moradores do estado de São Paulo. No geral, os clientes têm de 18 a 55 anos e convivem com a queda de cabelo há mais de cinco anos.

Remédio contra a alopecia

A dermatologista Aline Erthal, da plataforma Omens, que oferece atendimento multidisciplinar para queda de cabelo, explica que o minoxidil, a finasterida e a dutasterida são os mais recomendados para o tratamento da alopecia androgenética, pois essa é “a causa mais comum de perda capilar entre os homens”. A condição não tem cura.

“O minoxidil atua estimulando o crescimento dos fios e ajudando a prolongar a fase de crescimento do cabelo. Já a finasterida e a dutasterida agem reduzindo a produção de di-hidrotestosterona (DHT), hormônio envolvido no processo de miniaturização dos folículos capilares. São medicamentos que podem ser utilizados isoladamente ou em associação, dependendo de cada caso. A escolha do tratamento deve considerar o grau da perda capilar, o histórico clínico, as contraindicações e as necessidades individuais de cada paciente”, comenta a especialista.

Erthal esclarece que a finasterida e a dutasterida são contraindicadas para pacientes com alergia aos seus componentes. Já o minoxidil exige atenção especial quando utilizado por via oral, principalmente em pacientes com doenças cardiovasculares, pressão arterial baixa ou alterações na função renal.

A dermatologista também aponta que o tratamento medicamentoso exige “paciência e constância, porque o ciclo de crescimento dos cabelos é relativamente lento. De maneira geral, os primeiros resultados começam a ser percebidos a partir de três a quatro meses de tratamento, mas a resposta mais significativa costuma ocorrer após seis a doze meses”.

“Os resultados variam de acordo com o grau da perda capilar, o tempo de evolução da calvície e a resposta individual de cada paciente. Além disso, o objetivo do tratamento nem sempre é recuperar os fios que já foram perdidos, mas também estabilizar a queda e preservar os cabelos existentes”, completa.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/jairo-nascimento/saude/vendas-de-remedios-para-crescimento-capilar-dobraram-nos-ultimos-tres-anos/

Foto: iStock

Compartilhe: