Importações de polipeptídeos crescem 80% e reforçam avanço dos GLP-1 no Brasil

De acordo com a análise do BTG Pactual, a adoção de GLP-1 está em fase de crescimento estrutural, sustentada por diversos fatores, entre eles, a crescente disponibilidade de produtos e os investimentos contínuos dos fabricantes

O mercado brasileiro de medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, continua a demonstrar um crescimento robusto, impulsionado por fortes importações de polipeptídeos e a aceleração de novas aprovações de produtos. Dados recentes de setembro de 2026, analisados pelo BTG Pactual, indicam que a demanda por esses tratamentos permanece resiliente e em uma fase de expansão estrutural.

As importações de polipeptídeos, consideradas um indicador da atividade da cadeia de suprimentos de GLP-1, registraram um valor de US$ 199,2 milhões em agosto. Embora este valor represente uma queda de 22,5% em relação ao mês anterior, houve um aumento expressivo de 79,8% na comparação anual. A redução mensal pode ser atribuída, em parte, ao acúmulo prévio de estoque na cadeia de suprimentos local, sugerindo uma normalização do fluxo em vez de uma diminuição na demanda final do mercado.

Crescimento sustentado e adoção estrutural

A análise dos últimos doze meses (LTM) revela que as importações de polipeptídeos atingiram aproximadamente US$ 2,46 bilhões, um crescimento de 103% em relação ao ano anterior e 4% em relação ao mês anterior, também na base LTM. No acumulado do ano até agosto, as importações aumentaram 85% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A continuidade da força desses números a longo prazo sustenta a percepção de que o consumo subjacente de GLP-1 permanece vigoroso.

De acordo com a análise do BTG Pactual, a adoção de GLP-1 no Brasil é vista como uma fase de crescimento estrutural, sustentada por diversos fatores. Entre eles, destacam-se a maior aceitação por parte dos médicos, o aumento da conscientização dos pacientes, a crescente disponibilidade de produtos e os investimentos contínuos dos fabricantes para expandir a oferta e o acesso ao mercado.

Novas aprovações aceleram o mercado de semaglutida

Um marco importante para o desenvolvimento do mercado de GLP-1 no Brasil foi a aprovação de novos produtos de semaglutida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em meados de agosto. A EMS recebeu aprovação para um medicamento genérico injetável de semaglutida em quatro apresentações, enquanto a Germed obteve aprovação para o Semaclique, um medicamento similar, também em quatro apresentações.

Essas aprovações seguem a expiração da patente da semaglutida da Novo Nordisk em março, a aprovação do Ozivy da EMS em maio e a liberação de cinco produtos adicionais baseados em semaglutida em julho.

Embora os detalhes sobre preços e prazos de lançamento ainda não tenham sido divulgados, o caso do Ozivy serve como referência. O relatório do BTG aponta que o medicamento começou a chegar às principais redes de farmácias em 15 de junho, cerca de 20 dias após o registro da Anvisa, com distribuição inicial focada nas capitais e cobertura nacional esperada para julho. O preço do Ozivy sem desconto foi mais de 50% menor do que os de Ozempic e Wegovy, e as combinações com desconto poderiam atingir reduções superiores a 60% em relação aos medicamentos de referência. Este cenário indica que o mercado de semaglutida no Brasil está se abrindo mais rapidamente do que o inicialmente previsto.

Oportunidades e desafios para o varejo farmacêutico

O desenvolvimento do mercado de GLP-1 no Brasil reflete tendências observadas em mercados mais maduros, onde o crescimento é impulsionado pela crescente prevalência da obesidade, ampliação da cobertura de reembolso, expansão das indicações regulatórias e maior confiança médica nos resultados de longo prazo dos tratamentos. O que antes era considerado uma terapia de nicho está se tornando rapidamente uma categoria de cuidados crônicos convencional.

As restrições de oferta que limitaram a adoção entre 2023 e 2024 foram amplamente aliviadas por investimentos significativos em fabricação por parte de empresas como Novo Nordisk e Eli Lilly. A discussão atual no mercado se desloca da questão se o GLP-1 será relevante para o quão grande a oportunidade pode se tornar. Essa tendência é particularmente pertinente não apenas em mercados desenvolvidos, mas também em regiões com baixa penetração, como a América Latina.

Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/avanco-dos-glp-1-no-brasil/

Foto: iStock

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