Independentes abrem 65,2% das lojas, mas têm 12,7% fechadas

Profissionalização é fundamental para a sobrevivência das independentes

 

Farmácias independentes concentram 5.119 das 7.848 aberturas até julho

As farmácias independentes foram responsáveis por 65,2% das lojas abertas no varejo farmacêutico nos últimos 12 meses até julho deste ano. Das 7.848 novas unidades contabilizadas no período, 5.119 pertencem ao segmento. Ao mesmo tempo, as independentes apresentam o maior percentual de lojas classificadas como fechadas – 12,7% do portfólio.

O levantamento da Close-Up International mostra, assim, a maior participação das independentes tanto na expansão quanto na categoria de lojas fechadas entre os grupos analisados.

No acumulado de janeiro a julho, o segmento respondeu por 68,9% das aberturas, com 2.707 das 3.926 novas lojas, enquanto a participação de unidades classificadas como fechadas ficou em 11,9%.

Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas comenta que para montar uma farmácia e competir atualmente, o investimento necessário é muito alto. “Muitas vezes, a pessoa está trabalhando em outro lugar, acabou de se formar ou simplesmente tem o desejo de empreender e decide montar uma farmácia, mas começa o negócio de forma muito desestruturada e com um investimento abaixo do necessário. A tendência de esse empreendimento dar certo, nesse cenário, é muito pequena”, analisa.

O executivo ainda afirma que atualmente o consumidor quer encontrar variedade e ter acesso a todos os produtos que procura. “Não basta mais ser uma farmácia de bairro, porque as grandes redes também estão presentes nos bairros e existe uma farmácia disponível praticamente em todos os lugares”, diz.

É justamente nesse ponto que a profissionalização se torna fundamental. “Uma farmácia independente que tenta competir sozinha, sem uma base de informações, sem dados e sem ferramentas adequadas de gestão, enfrenta muitas dificuldades”, pontua Tamascia.

Independentes lideram a expansão

No acumulado até julho, as 5.119 lojas independentes abertas superam os volumes registrados pelos demais grupos, ou seja, 1.589 nas federações, 691 na Abrafarma e 449 nas demais redes. A soma resulta nas 7.848 novas unidades contabilizadas pelo estudo.

A participação das independentes chega a 68,9% noyear to date, período em que foram abertas 2.707 lojas do segmento. As federações registraram 699 novas unidades, a Abrafarma, 315, e as demais redes, 205.

12,7% das independentes estão na categoria de fechadas

O estudo também evidencia a presença das independentes na categoria “lojas fechadas”. No período analisado, elas representam 12,7% do portfólio do segmento, o maior percentual entre os grupos apresentados. No year to date, a proporção é de 11,9%. Para Tamascia, o nível elevado de fechamento está relacionado justamente à dificuldade de uma farmácia independente competir de forma isolada. “A competição hoje se dá muito pela tecnologia e pelas ferramentas disponíveis para a gestão do negócio”, comenta. Segundo ele, o mercado mudou muito. “Se a farmácia não tiver tecnologia para ajudar na gestão e na operação do dia a dia, a competição fica ainda mais difícil. Hoje, não se compete apenas pelo atendimento ou pela proximidade com o consumidor. A concorrência envolve diversos outros fatores, como tecnologia, gestão de portfólio, programas de fidelidade, informações e dados para a tomada de decisão”, ressalta.

Em geral, as dificuldades envolvem capacidade gerencial, organização dos processos e uso das informações disponíveis para decisões comerciais e operacionais. “O varejista quer ajuda e está disposto a avançar. Mas não basta disponibilizar uma ferramenta. É preciso transformar dados em informação útil e informação em decisão”, reforça Nilson Ribeiro, diretor-executivo e institucional da Abrafad.

Associativismo é caminho para longevidade do negócio

Como uma farmácia sozinha consegue, por exemplo, estruturar um programa de fidelidade? Como consegue fazer uma gestão adequada de portfólio ou ter acesso a informações e ferramentas que ajudem na tomada de decisão? Tudo isso tem um custo e exige estrutura. É o que afirma Tamascia. Para ele, o caminho para a farmácia independente sobreviver e competir é buscar o associativismo e utilizar as ferramentas que esse modelo oferece. “Quando digo que não existe vida fora do associativismo, é nesse sentido. Para competir sozinho, sem uma base de informação, sem dados e sem as ferramentas necessárias, fica muito difícil”, destaca.

A questão que mobiliza o varejo associativo é como as farmácias independentes podem ganhar competitividade em um mercado cada vez mais complexo. Para a Abrafad, parte da resposta está na evolução do associativismo, com mais acesso a conhecimento, dados, capacitação e ferramentas de gestão.

“A farmácia não pode mais enfrentar todas as transformações de forma isolada. O mercado mudou, o consumidor mudou e a concorrência também. O associativismo precisa acompanhar esse movimento e gerar instrumentos concretos para ajudar o empresário”, afirma Ribeiro.

O associativismo permite que a farmácia tenha acesso a recursos e ferramentas que, individualmente, seriam muito mais difíceis de obter. “É uma forma de ganhar competitividade, profissionalizar a gestão e enfrentar um mercado que está cada vez mais tecnológico e disputado”, finaliza Tamascia.

Fonte: https://panoramafarmaceutico.com.br/independentes-abrem-652-das-lojas-mas-tem-127-fechadas/

Foto: iStock

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