Mercado farmacêutico cresce 14% com genéricos e terapias metabólicas

A categoria de MPX registrou expansão de 17,49% nos últimos 12 meses

 

Varejo movimenta R$ 140,7 bilhões no primeiro semestre com forte impacto do aumento do tíquete médio

O varejo farmacêutico brasileiro manteve o ritmo de expansão no primeiro semestre de 2026, mas com uma mudança importante na dinâmica do mercado.

Segundo dados da Close-Up International, o canal farmácia movimentou R$ 140,7 bilhões em preço cheio entre janeiro e junho, alta de 13,3% sobre igual período do ano passado. No acumulado de 12 meses, o mercado alcançou R$ 278 bilhões.

O relatório mostra que, considerando o acumulado de 12 meses, o faturamento do varejo cresceu 14,03%, enquanto o volume de unidades comercializadas avançou apenas 3,07%. Em junho, essa diferença ficou ainda mais evidente. A receita aumentou 9,86%, mas as vendas em unidades recuaram 0,50%.

“O cenário demonstra que medicamentos de alta complexidade e maior preço seguem ampliando sua relevância para a rentabilidade do varejo, enquanto os produtos tradicionais continuam responsáveis pelo maior fluxo de dispensação”, comenta Fernanda Rebelo, analista Sênior de Market Insights, da Close-Up Internacional.

Para Alexandro Gandur, ex-executivo do Grupo EMS, conselheiro e fundador da Gandur Partners, os números indicam uma mudança estrutural na forma como o mercado cresce.  “O crescimento do setor continua robusto, mas sua natureza mudou. Hoje essa evolução é muito mais sustentada pelo valor agregado dos medicamentos do que pelo aumento do consumo em unidades”, analisa.

Genéricos seguem como principal motor do mercado

Os medicamentos sujeitos à prescrição (MPX) continuam liderando o crescimento do varejo farmacêutico. A categoria registrou expansão de 17,49% em faturamento nos últimos 12 meses.

O destaque permanece com os genéricos, que avançaram 13,13% em unidades e cerca de 21% em faturamento, desempenho superior ao das demais categorias de medicamentos prescritos. Nos medicamentos isentos de prescrição (MIPs), o movimento também se repete. Enquanto os produtos de marca cresceram apenas 2,02% em volume, os genéricos avançaram 12,11%.

“Os genéricos deixaram de ser apenas uma alternativa de menor preço e se consolidaram como o principal mecanismo de acesso em um cenário de medicamentos cada vez mais caros”, afirma Gandur.

Fernanda ainda destaca que o levantamento também evidencia a crescente importância dos medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes no faturamento das farmácias./grifar[

O Mounjaro assumiu a liderança em faturamento após registrar crescimento de 1.390,87% no acumulado de 12 meses. O Wegovy aparece entre os líderes em receita, com avanço de 11,05%, enquanto o Forxiga registrou crescimento de 67,39%.

Apesar do peso financeiro dessas terapias, os medicamentos mais vendidos em unidades permanecem sendo produtos tradicionais. O Glifage XR lidera o ranking de volume, seguido por Neosoro e Losartana. “Os fármacos para diabetes e obesidade mudaram a dinâmica do mercado. O topo do ranking passou a ser ocupado por terapias metabólicas, algo inédito quando comparado ao histórico do setor, tradicionalmente liderado por analgésicos e medicamentos de balcão“, destaca Gandur.

Indústria nacional mantém protagonismo

O levantamento confirma a liderança das empresas brasileiras no varejo farmacêutico.

O Grupo EMS permanece na primeira posição tanto em faturamento quanto em unidades comercializadas, registrando crescimento de 13,50% em receita no acumulado anual.

A Eurofarma assumiu a vice-liderança em faturamento, com alta de 17,77%, enquanto a Hypera Pharma aparece entre as líderes em volume de vendas. O Grupo Cimed também se destaca pelo avanço de 10,09% em unidades e 16,15% em faturamento nos últimos 12 meses.

Na visão de Gandur, inovação e indústria nacional passam a ocupar espaços complementares no mercado. “Enquanto a inovação global disputa o topo do ranking impulsionada pelas terapias metabólicas, os laboratórios brasileiros continuam dominando o núcleo do mercado e sustentando o crescimento do varejo”, observa.

Norte e Nordeste lideram expansão

Embora o Sudeste continue sendo o maior mercado do país em valores absolutos, o crescimento mais acelerado continua concentrado nas regiões Norte e Nordeste.

O Nordeste liderou a expansão em volume de vendas, com alta de 5,70%, seguido pelo Norte, com 3,52%, ambos acima da média nacional. Em faturamento, o Norte apresentou crescimento de 16,40%, ligeiramente superior ao Nordeste, que avançou 15,61%. “Os números indicam que essas regiões continuam ganhando relevância para a estratégia de expansão das indústrias e redes farmacêuticas”, pontua Fernanda.

Foto: iStock

Fonte:https://panoramafarmaceutico.com.br/mercado-farmaceutico-cresce-14-com-genericos-e-terapias-metabolicas/

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