Para especialista, avanço evidencia um maior aumento do tíquete médio em relação ao da cesta
Projeção da IQVIA aponta crescimento de 10,6% considerando o período de um ano
O mercado farmacêutico deve movimentar cerca de R$ 24,35 bilhões em julho, segundo projeções da IQVIA. O volume representa um aumento expressivo de 10,6% no comparativo anual. O número de unidades estimado para o período também cresceu, chegando a 764,3 milhões. O ritmo, porém, é menor – 3,1% em relação a julho de 2025.
“Esse movimento tem três motores com efeito simultâneo. O primeiro é o reajuste da CMED em abril. O segundo é a migração do brasileiro para terapias crônicas e moléculas de maior valor agregado. E o terceiro é a premiunização de categorias como a de cuidados pessoais”, analisa o consultor Alexandro Gandur.
Com base nas vendas diárias, a companhia calcula fatores de compensação para mensurar o total comercializado ao final do mês. Esses fatores consideram dias úteis como dias de informações disponíveis por membro do painel, feriados no mês, membro do painel ausente/pendente e fator de projeção nacional, se aplicável. A análise também calcula fatores para cada SKU no mercado.
Mercado farmacêutico pode registrar o melhor mês em dois anos
A IQVIA prevê três cenários para o mês de julho. O primeiro é a projeção mínima de 730 milhões de unidades, na sequência a média – de 764 milhões – e a máxima, que pode chegar às 798 milhões de unidades.

Caso o cenário mais otimista se concretize, julho poderá registrar o maior volume de unidades vendidas desde julho de 2024, superando março de 2026, quando foram comercializadas 797 milhões de unidades.
“O inverno continua a ser um importante indutor de demanda, mas o crescimento de outras classes, como sistema cardiovascular e nervoso central, somado ao avanço dos medicamentos à base de GLP-1, mostra um mercado mais diversificado”, comenta o conselheiro e professor César Bentim.
Quatro categorias são responsáveis por mais de 61% do share
Segundo o estudo, as quatro principais classes terapêuticas concentram mais de 61% do market share em unidades. Apenas a área respiratória apresentou retração.

Em valores, o domínio dos medicamentos para o aparelho digestivo e metabolismo tornou-se ainda mais expressivo.

“A categoria líder em vendas envolve desde itens baratos de altíssimo giro até os blockbustersde GLP-1. Só o mercado formal das canetas emagrecedoras já passa de R$ 14 bilhões em 12 meses, crescendo mais de 100% ao ano, o que o consolida como o maior vetor de crescimento do varejo farmacêutico brasileiro”, destaca Paulo Costa, CEO da Éden Grupo e especialista em liderança do Panorama Farmacêutico.
Categorias avançam, mas recorte recente acende alerta
Segundo o estudo, todas as categorias registraram evolução na comparação anual, com destaque para medicamentos de marca (+13,2%) e cuidados ao paciente (PAC), com 20,2% de incremento. No comparativo mensal, entretanto, os MIPs apresentaram leve retração (-0,6%).
“Esse último segmento tende a ser mais elástico em função da demanda sazonal da área respiratória, que está mais fraca neste inverno. Outros dois movimentos também contribuíram para o resultado – a transferência de demanda para o mercado ético e a pressão do trade, com avanço dos cuidados pessoais. Esse não é um problema estrutural, mas um recado importante para a indústria”, alerta Gandur.
Fonte: https://panoramafarmaceutico.com.br/mercado-farmaceutico-deve-movimentar-r-243-bi-em-julho/
Foto: Magnific – dzyneestudio