O novo risco por trás do balcão das farmácias

Cristiano Miranda Silva, head de Negócios B2B2C da Interplayers

 

O futuro da segurança no setor não está atrás das câmeras, mas dentro dos dados e na capacidade de criar uma jornada digital segura, conectada e centrada no paciente

Nos últimos meses, uma nova onda de assaltos vem chamando atenção no país. As farmácias, tradicionalmente vistas como espaços de cuidado e acolhimento, tornaram-se alvo de criminosos. As canetas emagrecedoras, os dermocosméticos e os medicamentos de alto custo se transformaram em um novo tipo de mercadoria cobiçada, símbolo do desequilíbrio entre valor, segurança e controle. A resposta imediata do setor tem sido reforçar a segurança física e reduzir estoques, mas essas medidas, embora necessárias, não atingem o cerne do problema.

O desafio é mais profundo e exige uma mudança que começa a se consolidar no conceito de varejo 4.0. A digitalização da jornada do medicamento e a integração entre indústria, farmácias e pacientes inauguram uma nova lógica de segurança. Em vez de depender apenas de portas trancadas e câmeras, o varejo pode contar com sistemas inteligentes, capazes de rastrear cada transação, validar a elegibilidade do comprador e garantir que produtos de alto valor cheguem apenas a quem realmente tem direito. É o início de uma era em que a tecnologia não apenas protege o estoque, mas fortalece o vínculo de confiança entre todos os elos da cadeia de saúde.

Quando a compra ocorre em um ambiente digital e controlado, com checagens automatizadas e dados em tempo real, o risco de desvio cai significativamente. A jornada digital cria uma trilha rastreável que permite identificar padrões de consumo, detectar movimentações incomuns e agir antes que o problema aconteça. Esse modelo reduz a necessidade de manter volumes altos de produtos sensíveis nas lojas físicas e, ao mesmo tempo, amplia a segurança do paciente, que passa a receber o medicamento de forma certificada — seja por entrega direta, seja por retirada em pontos credenciados.

e-commerce farmacêutico é peça central dessa evolução. Ele representa mais do que conveniência: é um instrumento de proteção. Ao transferir parte da jornada para o digital, o varejo minimiza sua exposição e oferece aos consumidores um acesso seguro e transparente, com informações claras sobre descontos, programas de benefício e políticas comerciais. A integração entre plataformas digitais, programas de acesso e farmácias físicas cria um ecossistema mais eficiente, que protege o negócio e, sobretudo, o paciente.

Essa modernização também gera ganhos de inteligência para toda a indústria. A rastreabilidade digital permite compreender fluxos de compra, ajustar estoques e planejar reposições com maior precisão. A gestão unificada de benefícios, pagamentos e promoções evita fraudes, aumenta a eficiência operacional e assegura o cumprimento das normas regulatórias. Cada dado coletado é uma camada adicional de proteção, transformando o que antes era apenas uma transação em informação estratégica.

Porém, é importante lembrar que essa transformação não é apenas tecnológica, mas cultural. O varejo 4.0 exige uma nova mentalidade, em que segurança e experiência do paciente caminham lado a lado. Investir em digitalização é investir em confiança. Em um mercado cada vez mais sofisticado — e em um contexto em que o crime também se moderniza — é a inteligência que vai determinar quem consegue garantir o acesso seguro aos medicamentos de alto custo.

A onda de roubos nas farmácias brasileiras é um sinal de que o modelo tradicional já não acompanha a complexidade atual. O futuro da segurança no setor não está atrás das câmeras, mas dentro dos dados. Está na capacidade de criar uma jornada digital segura, conectada e centrada no paciente. O varejo 4.0 não é apenas uma tendência — é a resposta necessária para que o balcão das farmácias volte a ser um símbolo de cuidado, e não um ponto de risco.

Cristiano Miranda Silva é head de Negócios B2B2C da Interplayers, hub de negócios de saúde e bem-estar reconhecido por suas iniciativas disruptivas e tecnologia de ponta.

Fonte: https://revistadafarmacia.com.br/farmacia/o-novo-risco-por-tras-do-balcao-das-farmacias/

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