52% dos idosos não tiram dúvidas sobre tratamentos na farmácia, aponta pesquisa

A interação com o farmacêutico ainda é limitada, e 57,1% deles têm problemas para ler bulas e embalagens, enquanto 34,1% afirmam ter dificuldade para lembrar horários de administração dos medicamentos

O envelhecimento da população brasileira está criando novos desafios para o varejo farmacêutico. A Pesquisa Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC), revela que 72% dos consumidores com mais de 60 anos utilizam mais de três medicamentos de uso contínuo por dia.

O estudo mostra que a rotina de múltiplos tratamentos vem acompanhada de dificuldades importantes. Entre os idosos entrevistados, 57,1% relatam problemas para ler bulas e embalagens, enquanto 34,1% afirmam ter dificuldade para lembrar horários de administração dos medicamentos.

Apesar dessas barreiras, a interação com o farmacêutico ainda é limitada. Mais da metade dos idosos (52,8%) afirma nunca tirar dúvidas com esse profissional.

Uso contínuo amplia desafios da adesão ao tratamento

Os dados da pesquisa mostram que a rotina medicamentosa faz parte do dia a dia da maioria dos consumidores acima de 60 anos. Segundo o levantamento, 72% dos idosos utilizam mais de três medicamentos por dia, enquanto uma parcela significativa faz uso contínuo de tratamentos para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares.

O cenário reforça a importância da farmácia como ponto de apoio para a manutenção da adesão terapêutica. Quanto maior o número de medicamentos utilizados, maiores são os riscos de esquecimentos, trocas de horários e interrupções do tratamento, especialmente entre pacientes que convivem com múltiplas doenças simultaneamente.

Leitura de bulas e embalagens é um dos principais obstáculos

A pesquisa também identificou dificuldades práticas enfrentadas pelos idosos no uso diário dos medicamentos. Entre os entrevistados, 57,1% afirmaram ter dificuldades para ler bulas e embalagens, enquanto 34,1% relataram problemas para lembrar os horários corretos das medicações.

Os resultados evidenciam que as barreiras para a adesão ao tratamento vão além do acesso aos medicamentos. Questões relacionadas à compreensão das orientações, à organização da rotina terapêutica e ao acompanhamento profissional podem influenciar diretamente a efetividade dos tratamentos.

Para especialistas, esses dados reforçam a importância da atuação do farmacêutico na tradução das informações técnicas e na orientação personalizada aos pacientes.

Atendimento prioritário ainda é alvo de críticas

Embora as farmácias sejam um dos principais pontos de contato dos idosos com o sistema de saúde, a pesquisa mostra que há espaço para aprimorar a experiência desse público dentro das lojas.

A avaliação do atendimento prioritário foi considerada “razoável” por 50,5% dos entrevistados e “ruim” por 26,8%. Apenas 22,7% classificou o serviço como “bom” ou “excelente”. Na prática, mais de três quartos dos consumidores acima de 60 anos acreditam que o atendimento prioritário poderia ser melhor.

Oportunidades para as farmácias com os idosos

Para o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e da Farmarcas, Edison Tamascia, existe uma oportunidade importante para ampliar o papel clínico das farmácias.

“As farmácias já convivem há muitos anos com esse público e têm experiência no atendimento às suas necessidades. O envelhecimento da população, porém, amplia a importância desse tema”, disse o executivo em entrevista ao Guia da Farmácia.

Segundo ele, o farmacêutico pode contribuir diretamente para melhorar a adesão aos tratamentos.

“O farmacêutico desempenha um papel fundamental ao orientar sobre posologia, horários, armazenamento e uso correto dos medicamentos.”

Serviços farmacêuticos

A pesquisa identificou ainda uma forte demanda por serviços de apoio. Entre os entrevistados, 65,6% demonstraram interesse em ferramentas como organizadores de medicamentos e sistemas de lembretes. Quase metade dos idosos (49,8%) utilizaria esses serviços desde que fossem gratuitos.

“Muitas farmácias associadas às redes da Febrafar já oferecem orientações e iniciativas voltadas ao acompanhamento do paciente, e a tendência é que esse tipo de serviço ganhe cada vez mais relevância”, afirma Tamascia.

Para ele, a pesquisa mostra claramente uma mudança de expectativa dos consumidores mais velhos.

“Ferramentas como organizadores de medicamentos, lembretes e programas de acompanhamento representam oportunidades para fortalecer o relacionamento com os pacientes e contribuir para melhores resultados em saúde”, analisa o executivo

Na avaliação do setor, o avanço da longevidade deverá impulsionar uma transformação gradual das farmácias, que tendem a assumir um papel cada vez mais relevante no suporte à adesão terapêutica e no acompanhamento de pacientes crônicos.

Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/52-dos-idosos-nao-tiram-duvidas-sobre-tratamentos-na-farmacia-aponta-pesquisa/

Foto: Shutterstock

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