Farmácia em condomínio vira aposta para franquias

O sortimento tem média de 2 mil SKUs, e pode ser adaptado de acordo com o público  foca nos medicamentos de marca, e público CD, em genéricos e similares

Enquanto as grandes redes disputam os melhores pontos comerciais das cidades, uma pequena empresa cearense decidiu apostar em um caminho diferente: levar a farmácia para dentro de condomínios residenciais.

Criada em 2025, a Apepê Farma inaugurou sua primeira unidade em um condomínio de Fortaleza (CE) e agora prepara a expansão por franquias.

“Estamos dentro da casa das pessoas”, afirma o fundador da Apepê Farma, Ítalo Montenegro, em entrevista ao Guia da Farmácia.

Sem experiência prévia no setor farma, o empresário estudou o mercado, a legislação e a dinâmica do varejo antes de lançar o negócio. Também precisou entender, junto à Vigilância Sanitária, como instalar uma farmácia em condomínio, porque esse modelo ainda não tinha em Fortaleza.

Nesse período, identificou um cenário de crescimento das grandes redes, enquanto as pequenas farmácias independentes perdem competitividade e encerram suas atividades. A partir desse diagnóstico, decidiu apostar em um modelo baseado na conveniência e na proximidade com o consumidor, assim como mercados autônomos em condomínios que ganharam força após a pandemia.

“Fiquei um ano me dedicando exclusivamente ao mercado farmacêutico, pelo qual me encantei. Mas vi que uma farmácia de bairro jamais iria competir com uma rede. Também tem a questão de as farmácias pequenas estarem fechando por conta da concorrência de mercado. Foi quando cheguei à conclusão: enquanto as redes brigam pelas esquinas, vou brigar pelo elevador”, afirma.

Primeira unidade

A primeira farmácia está instalada em um contêiner de 12 metros quadrados, em um condomínio com 400 apartamentos. A operação conta com a presença de farmacêutico em tempo integral e sortimento de 2 mil SKUs, entre medicamentos (incluindo produtos controlados e antibióticos), higiene e beleza. Segundo a empresa, 90% das vendas são de medicamentos.

Para viabilizar preços competitivos, a Apepê já consegue negociar diretamente com alguns fabricantes, como Cimed, Neo Química, Geolab e Teuto. “Fazemos pesquisas semanais nos concorrentes e nosso preço é igual ao da farmácia convencional de rua”, afirma Montenegro.

Segundo ele, em seis meses de operação, a farmácia aumentou quatro vezes o faturamento da unidade-piloto e começa a negociar projetos em diversos estados.

Oferta de serviços gera receita adicional

Além da venda de medicamentos, a Apepê Farma desenvolveu um ecossistema de serviços, já em operação na primeira loja, para gerar receita adicional.

Assim, a farmácia possui tela de retail media e oferece o ApêSolar, assinatura de energia solar em parceria com a Sunne, empresa de energia presente em 23 estados.

Segundo Montenegro, com esse serviço, o morador consegue reduzir em 15% a conta de luz.

Já em serviços financeiros, criou o Apê Card, cartão private label exclusivo para compras na farmácia; e o Apê Crédito, que faz empréstimo, com destaque para o consignado, para os moradores do condomínio. “Somos correspondentes bancários de oito bancos”, conta o empresário.

Usando fundos próprios, a empresa também passou a oferecer a opção de pagamento das compras a prazo no boleto, sem consulta aos órgãos de proteção ao crédito. “Liberamos um limite de R$ 100 para cada unidade para compras na farmácia”.

A iniciativa surgiu para atender clientes que estão com nome negativado ou precisam comprar medicamentos com alguma urgência. “A doença não espera o salário cair na conta”, comenta Montenegro.

De acordo com o executivo, tanto o crédito quanto as compras a prazo registram inadimplência zero até o momento.

Farmácia como ponto de retirada de encomendas

Outra frente é o Apê Retire, para receber as encomendas dos moradores em um espaço exclusivo ao lado da farmácia. A estratégia resolve um problema comum nos condomínios — o grande volume de entregas nas portarias — e ainda aumenta o fluxo de pessoas dentro da loja.

“Ao lado da farmácia, em um espaço isolado, criamos um ponto de recebimento de encomendas. Como durante o dia o movimento é tranquilo, o farmacêutico organiza as encomendas. O morador vai ser obrigado a entrar na farmácia para retirá-la”, conta. A Apepê não cobra o condomínio para prestar esse serviço.

“Com isso, geramos um retorno interessante porque enquanto o farmacêutico está pegando a encomenda, o morador acaba comprando algo por impulso, ou aproveita que já está na loja para comprar os medicamentos do mês ou, no mínimo, vai olhar para a tela de retail media”.

Farmacêutico entra como sócio da operação

Um dos diferenciais do modelo de negócio da Apepê Farma é estimular o desenvolvimento do farmacêutico como empreendedor e futuro franqueado da rede.

Assim, o farmacêutico entra como sócio da unidade, com participação de 25%, sem necessidade de investimento financeiro. O aporte é feito pela Apepê Farma ou pelo franqueado.

O profissional então recebe salário mensal, 25% de participação e renda variável proveniente de retail media.

O farmacêutico fica atrelado ao estabelecimento por um período de 24 meses; depois desse período pode manter sua posição ou se tornar um franqueado.

Projetos integram físico e digital

O empresário conta seus planos, como implantar um modelo de prateleira infinita, por meio de parceria com distribuidores, aumentando o mix para 4 mil produtos.  A ideia é entregar pedidos realizados até as 11h00 no mesmo dia, enquanto compras feitas à tarde seriam entregues no dia seguinte.

Em paralelo, também pretende estruturar um centro de distribuição próprio para abastecer as unidades. “O cliente encontra os itens mais básicos na farmácia, mas se precisar de um produto mais específico, podemos despachar diretamente do centro de distribuição”, diz Montenegro.

Expansão mira condomínios em todo o País

Após validar a operação em Fortaleza, a Apepê Farma iniciou sua expansão por meio de franquias. “Temos a estimativa de fechar esse ano com 100 lojas”, diz Montenegro.

De acordo com ele, na capital cearense há demanda potencial para instalar as farmácias em mais de 40 condomínios. O empresário conta também que iniciou negociações em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco, Bahia e Maranhão.

O foco inicial são condomínios com, no mínimo, 150 unidades (apartamentos ou casas), após estudo de viabilidade que considera o perfil dos moradores e o potencial de consumo.

São três diferentes formatos para montar a farmácia: ajustar um espaço dentro do condomínio que não esteja sendo utilizado, construir uma loja em alvenaria ou montar um contêiner. A empresa vai trabalhar com lojas de 10 e 15 m2 ou no formato pocket, de 5 m2. O tamanho da loja será ajustado conforme legislação local.

O sortimento em média de 2 mil SKUs, adaptando de acordo com o público – classes AB, foco nos medicamentos de marca, e público CD, em genéricos e similares.

“Em Fortaleza, por exemplo, há muitos condomínios CD com vários blocos de apartamento, andares baixos e sem elevador. Neste caso, sugerimos a modalidade de contêiner ou alvenaria. Já nos condomínios AB ou BC, com torres altas e menos blocos, normalmente tem um espaço na área comum que conseguimos aproveitar para a farmácia”.

Com a expansão em andamento, o empresário projeta os próximos passos da Apepê Farma. “Minha meta pessoal é chegar a 10 mil lojas no Brasil. É um sonho ambicioso, mas sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho”, finaliza.

Fonte: https://guiadafarmacia.com.br/farmacia-em-condominio-vira-aposta-para-franquias/

Fotos: Apepê Farma

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