Reforma silenciosa no ICMS em SP muda a lógica de preços e pressiona margens no varejo farmacêutico

Esse efeito é ampliado pela própria característica do setor: alto volume de itens, margens comprimidas e grande sensibilidade a variações de preço

As recentes alterações na sistemática do ICMS em São Paulo vêm aprofundando um movimento de maior complexidade tributária no varejo brasileiro, com impacto direto na formação de preços e na rentabilidade das empresas, especialmente no setor farmacêutico.

O principal eixo dessa mudança está na revisão do regime de Substituição Tributária (ICMS-ST), com a retirada gradual de diversos produtos da sistemática em que o imposto era recolhido antecipadamente na cadeia. Com isso, itens que antes chegavam ao varejo com o tributo já embutido no custo passam a ser tributados no modelo tradicional de débito na venda e crédito na compra.

Na prática, o movimento altera a lógica de precificação. O que antes era tratado como um custo mais previsível e “embutido” passa a depender da apuração fiscal da operação, com impacto direto sobre o aproveitamento de créditos e a carga tributária efetiva de cada empresa.

Esse redesenho torna o ICMS menos homogêneo e mais dependente da estrutura operacional do varejista. Dois negócios que vendem o mesmo produto podem ter cargas tributárias efetivas diferentes, a depender da gestão de créditos, regime de apuração e organização das compras.

No varejo farmacêutico, esse efeito é ampliado pela própria característica do setor: alto volume de itens, margens comprimidas e grande sensibilidade a variações de preço. Pequenos desvios no cálculo tributário podem ser suficientes para transformar uma operação aparentemente saudável em uma margem pressionada.

“Em muitos casos, a farmácia acredita que está obtendo uma margem adequada, mas parte dos custos tributários não está sendo considerada corretamente na composição do preço. Isso pode reduzir significativamente o lucro da operação sem que o empresário perceba de imediato”, afirma Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Software.

Complexidade tributária amplia risco na formação de preços

Além do impacto direto na margem, o novo cenário também eleva a complexidade da gestão. A precificação deixa de ser um exercício predominantemente comercial, baseado em concorrência e markup, e passa a exigir integração mais estreita entre áreas fiscal, contábil e operacional.

Na prática, isso reduz a eficácia de modelos simplificados de formação de preço ainda amplamente utilizados no varejo, baseados em markups padronizados ou referências médias de mercado. Em um ambiente com maior variabilidade tributária, essas metodologias tendem a aumentar o risco de distorções entre preço de venda e rentabilidade real.

Tecnologia passa a ser componente estratégico da precificação

É nesse contexto que soluções tecnológicas de gestão passam a ganhar relevância não apenas como ferramentas operacionais, mas como suporte direto à estratégia de rentabilidade. Para responder a esse cenário, a Alpha7 Software incorporou ao sistema A7Pharma uma funcionalidade voltada à formação de preço de venda, desenhada justamente para lidar com a maior complexidade tributária trazida pelas mudanças no ICMS.

A solução busca integrar variáveis fiscais e operacionais ao processo de precificação, incorporando tributos e custos de aquisição à base de cálculo antes da aplicação do markup. O objetivo é reduzir a dependência de estimativas manuais e aproximar o preço final da realidade tributária de cada operação.

“Não se trata simplesmente de uma calculadora. O objetivo é auxiliar o gestor a aplicar corretamente critérios que já deveriam estar presentes na precificação, reunindo informações fiscais e operacionais dentro do próprio sistema para apoiar decisões mais assertivas”, destaca Seleber.

Além da formação de preço, a ferramenta também permite uma leitura mais precisa da margem efetiva dos produtos, um ponto crítico em um ambiente de forte competição por preço no varejo farmacêutico. Em um setor onde pequenas diferenças percentuais podem definir a competitividade, a ausência de visibilidade sobre o impacto tributário pode levar a decisões comerciais que corroem a rentabilidade ao longo do tempo.

“Ter um preço competitivo é importante, mas isso não pode acontecer às custas da margem. O gestor precisa saber exatamente qual é o impacto dos tributos e dos custos sobre cada produto para garantir a sustentabilidade do negócio”, ressalta o executivo.

A tendência, segundo a Alpha7, é que a gestão tributária e a precificação avancem para um grau maior de integração dentro dos sistemas de gestão, reduzindo a dependência de controles paralelos e cálculos manuais. Nesse cenário, a tecnologia passa a desempenhar um papel central na tradução de um ambiente tributário mais complexo em decisões comerciais mais seguras e consistentes.

“A tecnologia ajuda a transformar um processo que se tornou mais complexo em uma atividade mais segura e eficiente para o gestor. Quanto maior a precisão na formação dos preços, maior a capacidade da farmácia de proteger suas margens, melhorar seus resultados e sustentar seu crescimento”, conclui Stephenson Seleber.

 

Fonte: Alpha7

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