Super El Niño pode impactar o varejo farmacêutico

Demandas sazonais podem mudar e extremos climáticos, como enchentes e

Secas, podem impactar cenário macroeconômico

 

Fenômeno climático pode ser mais forte do que o usual, exigindo do gestor planejamento estratégico

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), um El Niño de intensidade de moderada a forte pode afetar o Brasil no segundo semestre deste ano. Diante da instabilidade provocada pelo fenômeno, brasileiros e farmácias acendem o alerta para eventos climáticos extremos. As informações são do Metrópoles.

Segundo a entidade, há 82% de chance de que o El Niño comece a interferir no clima entre maio e julho e continue se desenvolvendo até dezembro.

O que é o El Ninõ?

O El Niño é um fenômeno climático natural em que as águas do Oceano Pacífico apresentam aquecimento acima do normal, em razão do enfraquecimento dos ventos alísios – ventos constantes e úmidos que sopram dos trópicos em direção ao Equador. Esse processo mantém as temperaturas elevadas e altera a circulação atmosférica global. Em geral, o fenômeno provoca clima mais seco nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, além de aumentar chuvas no Sul e Sudeste.

Por que o de 2026-2027 está sendo chamado de “super”? (H3)

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o fenômeno deste ano pode ser o mais forte da história moderna. Caso a previsão se concretize, eventos extremos poderão afetar todas as regiões do Brasil.

“Para o segundo semestre, os modelos indicam mais umidade entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, o que é diferente do padrão tradicional, indicando a possibilidade de chuva acima da média nesses estados. Já no Sul, teremos potencial de precipitações mais elevadas, com frequentes alagamentos e risco de enchentes”, explica a meteorologista Estael Sias.

Governo potencializou monitoramento

Diante do risco de intensidade acima dos padrões, os órgãos do governo federal e instituições de pesquisa se reúnem semanalmente para acompanhar impactos e coordenar ações de prevenção e resposta em nível nacional. As informações são do G1.

Até a decisão, divulgada no último dia 31 de maio, representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Cemaden, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizavam reuniões a cada 45 dias.

Fenômeno pode aumentar demanda por antialérgicos

Segundo especialistas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), o El Niño pode impactar diretamente a saúde das pessoas com alergias respiratórias, como rinite e asma. Os principais fatores são:

  • Oscilações bruscas de temperatura
  • Aumento de poluentes e partículas no ar
  • Ambientes mais úmidos e quentes
  • Maior circulação de vírus respiratórios

 

A combinação desses fatores pode elevar a demanda pelos medicamentos antialérgicos. Esse, porém, não deve ser o único impacto do fenômeno no setor.

Preocupação vai além da previsão do tempo

Para Fernando Ferreira, consultor e fundador da Retail Jedi, o gestor de farmácia não deve tratar o El Niño apenas como uma questão climática. “O clima não determina somente se o cliente vai sair de casa com ou sem guarda-chuva. Ele altera preços, afeta a logística, muda o comportamento de consumo e influencia diretamente os resultados de uma drogaria”, alerta.

Segundo ele, o fenômeno compromete as safras e, por consequência, encarece os alimentos. Como a comida é uma despesa obrigatória, sobra menos renda para outras categorias. Sendo assim, caem as vendas de itens considerados menos essenciais. “O cliente continua adquirindo medicamentos de uso contínuo, mas reduz o consumo de itens de conveniência, dermocosméticos e até perfumaria”, explica.

Paralelamente, o clima afeta a logística, com interdições de estradas, baixa navegabilidade de rios e aumento de custos, pressionando toda a cadeia. Os distribuidores, que já operam com margens reduzidas, acabam restringindo crédito e encurtando prazos de pagamento.

Outro desafio para as distribuidoras regionais está na compra junto às indústrias. Grandes players costumam adquirir volumes elevados com antecedência. Assim, diante de uma alta inesperada na demanda, a produção pode já estar comprometida, dificultando a aquisição de produtos adicionais.

Comportamento epidemiológico também muda

Eventos climáticos extremos alteram o comportamento epidemiológico das regiões e tornam o planejamento baseado em histórico menos confiável. Ferreira aconselha que os gestores não confiem cegamente nas Curvas ABC.

“Um inverno mais quente pode reduzir a venda de antigripais, xaropes e descongestionantes. Por outro lado, o calor excessivo e períodos prolongados de seca aumentam a procura por soluções de reidratação, inaladores, colírios lubrificantes e itens voltados ao tratamento de doenças respiratórias crônicas”, aponta.

O prolongamento das altas temperaturas também favorece a proliferação do Aedes aegypti, aumentando a necessidade de monitorar categorias ligadas ao tratamento de sintomas associados à dengue, zika e chikungunya.

Como o setor deve se portar?

O consultor aconselha os gestores a revisar apólices de seguro, diversificar fornecedores e ampliar estoques de segurança em regiões vulneráveis. Proteger produtos de alto valor contra alagamentos, criar reservas financeiras e acompanhar boletins epidemiológicos também são medidas que ajudam a reduzir a exposição ao risco.

“O El Niño não é apenas um fenômeno climático. Para o varejo farmacêutico, também é um fenômeno econômico, logístico e sanitário. Ignorá-lo é uma escolha. Planejar-se para ele também”, conclui.

Foto: Magnific – CandyRetriever

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