Pesquisa identificou que 36% dos entrevistados afirmaram pretender prescrever produtos similares de GLP-1; outros 27% disseram que também utilizarão essas opções, desde que confiem na indústria fabricante
A chegada de novas opções de medicamentos da classe GLP-1 ao mercado brasileiro deverá encontrar um ambiente favorável entre os prescritores, mas a confiança nas empresas fabricantes e nas marcas continua sendo um fator determinante para a adoção desses produtos.
É o que mostra uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Formação, Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (IFEPEC), braço da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) dedicado a promover o conhecimento e a capacitação das redes e farmácias.
O levantamento, realizado com 1.067 médicos brasileiros, investigou, entre outros pontos, as expectativas dos profissionais em relação aos similares, biossimilares e futuros equivalentes dos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, diabetes tipo 2 e condições cardiometabólicas.
A pesquisa identificou que 36% dos entrevistados afirmaram pretender prescrever produtos similares de GLP-1. Outros 27% disseram que também utilizarão essas opções, desde que confiem na indústria fabricante.
Por outro lado, a pesquisa mostra que uma parcela dos profissionais ainda adota uma postura mais cautelosa. Entre os entrevistados, 23% afirmaram que não prescreverão imediatamente os novos produtos e preferem aguardar um período maior de acompanhamento do mercado. Outros 14% disseram que somente tomarão uma decisão após conhecer melhor as características dos medicamentos.
Marca ainda tem mais força que molécula
A pesquisa também avaliou como os médicos pretendem conduzir suas prescrições quando houver diferentes versões de GLP-1 disponíveis no mercado.
Os resultados mostram que a marca comercial ainda exerce forte influência na decisão terapêutica. Entre os entrevistados, 78% afirmaram que preferem prescrever a marca do medicamento, enquanto apenas 22% disseram priorizar a indicação pela molécula.
O dado demonstra que a construção de reputação junto à classe médica deverá continuar sendo um diferencial competitivo importante para os laboratórios que pretendem atuar nesse segmento.
Na avaliação dos pesquisadores, o cenário indica que a expansão do mercado de GLP-1 não dependerá apenas da ampliação da oferta, mas também da capacidade dos fabricantes de demonstrar qualidade, segurança e consistência clínica aos profissionais de saúde.
Mercado em transformação
Com a expectativa de entrada de novos produtos nos próximos anos, o mercado brasileiro de GLP-1 passa por uma fase de transformação. A maior concorrência tende a ampliar as opções terapêuticas disponíveis e pode contribuir para o aumento do acesso dos pacientes.
Entretanto, os resultados da pesquisa mostram que a confiança construída pelas marcas junto aos prescritores continuará sendo um elemento estratégico para o sucesso comercial dos novos medicamentos.
Nesse contexto, fabricantes que conseguirem combinar competitividade, evidências científicas robustas e credibilidade institucional deverão encontrar um ambiente mais favorável para conquistar espaço em uma das categorias farmacêuticas de maior crescimento no país.